Faz de conta que é tudo uma grande brincadeira. Brincadeira daquelas boas de esconde-esconde. Faz de conta que a gente que a gente ama nunca vai dizer adeus. Que nunca vai sair da vista da gente. Que não vai deixar saudade doída no nosso peito.
Faz de conta que o tempo não passa. Que não passa para as coisas boas da vida. Que só passa para as que não foram boas e que para essas ele passa mais rápido que um raio, correndo pra fora da memória da gente.
Faz de conta que a gente não envelhece, que a gente não adoece, que a gente não se ausenta num dia quase pra sempre. Faz de conta que a gente não espera que isso aconteça ou que a gente já aprendeu a esperar sem tanto sofrimento.
Que bom que o meu faz de conta vai virar realidade. Que bom que o futuro é eterno e glorioso. Que bom que quem está guardado hoje nos nossos corações vai estar de novo com a gente, pertinho de novo, dando risada e fazendo bem, sem a pressa do tempo do relógio nem o temor da dor da separação. Que bom que o pra sempre existe, ainda que incerto no nosso calendário, mas certo nas promessas de Deus.
E enquanto isso, a gente vai regando essas sementes de amanhã no jardim do nosso coração, se esforçando pra não deixar que o hoje nos sufoque, nem tampouco que os espinhos venham ferir nossos pés ao longo da caminhada. ●
9 de novembro de 2009
31 de outubro de 2009
PRECISO APRENDER A CALAR A BOCA
Tenho uma mania, ou melhor, um defeito que muito tem me incomodado: a falta de domínio da língua. Não é de nenhuma língua estrangeira. Ah, se fosse... E da língua mesmo, órgão que carrego comigo, por trás dos dentes e bem no meio da boca.
É bem verdade que desde criança sempre fui faladeira. Uma vez, esse defeito ficou bem evidente, tipo carimbo em mim. Estava na segunda série e era aluna de uma professora não muito didática tampouco adepta dos meios de educação aliados à psicologia. A bendita professora enumerava com a lista de chamada nas mãos os nomes do alunos e as disciplinas em que deveriam se dedicar com mais afinco nos estudos: “Fulano, você precisa melhorar em matemática, por exemplo”. E eu, com minha língua solta, ao não escutar meu nome ser pronunciado após a última letra do alfabeto, tive a brilhante idéia de me dirigir até a mesa dela e perguntar em que eu deveria melhorar. A resposta foi sonora, não muito agradável e voltei cabisbaixa e engolindo um choro seco quando escutei: “Na língua é que você deve melhorar, porque fala demais.” Sentença ? Não sei. Mera previsão ou profecia ? Quem dirá ?
O fato é que tenho percebido que minha língua anda solta no que não deveria: a vida alheia. Não é que faço fofoca, revelo segredos, nada disso. Tenho percebido que um dos meus piores defeitos (ou que muito tem me incomodado) é dar pitaco na vida dos outros. Na hora, na conversa, no desenrolar do diálogo, com amigo, parente e afins eu dou minha opinião, falo o que penso daquele assunto. Daí, menos de cinco minutos depois eu me arrependo por sair dando receitas de vida, fórmulas de cotidiano, emitindo juízos etc. O pensamento que me ocorre é: “Meu Deus, quem sou eu para entrar na vida dele ou dela sem ser solicitada”. Nem sei se realmente tenho incomodado esses terceiros, se tenho causado aborrecimentos com minha inoportuna e invasiva opinião. Refletindo sobre isso, decidi que não devo me manifestar em casas, vidas e lares de terceiros a menos que seja solicitada. Diz o sábio ditado que cada macaco deve ficar no seu galho. Quem penso que sou ou que direitos tenho para chegar sem ser solicitada e começar a dar minhas consultas, consultorias e julgamentos ? Dizem, também, que quando colocamos as coisas no papel o nosso compromisso com elas aumenta, toma corpo além das letras. Que seja assim. Botando o ponto final nesse texto, começo a me comprometer comigo para me libertar desse vício e me ocupar de dar opinião em quem realmente precisa escutar meus conselhos: eu. A me ocupar em querer dar jeito na única vida que me diz veramente respeito: a minha. Que eu me sacrifique para aprender a usar os meus ouvidos e aposentar minha bendita língua... Amém. ●
É bem verdade que desde criança sempre fui faladeira. Uma vez, esse defeito ficou bem evidente, tipo carimbo em mim. Estava na segunda série e era aluna de uma professora não muito didática tampouco adepta dos meios de educação aliados à psicologia. A bendita professora enumerava com a lista de chamada nas mãos os nomes do alunos e as disciplinas em que deveriam se dedicar com mais afinco nos estudos: “Fulano, você precisa melhorar em matemática, por exemplo”. E eu, com minha língua solta, ao não escutar meu nome ser pronunciado após a última letra do alfabeto, tive a brilhante idéia de me dirigir até a mesa dela e perguntar em que eu deveria melhorar. A resposta foi sonora, não muito agradável e voltei cabisbaixa e engolindo um choro seco quando escutei: “Na língua é que você deve melhorar, porque fala demais.” Sentença ? Não sei. Mera previsão ou profecia ? Quem dirá ?
O fato é que tenho percebido que minha língua anda solta no que não deveria: a vida alheia. Não é que faço fofoca, revelo segredos, nada disso. Tenho percebido que um dos meus piores defeitos (ou que muito tem me incomodado) é dar pitaco na vida dos outros. Na hora, na conversa, no desenrolar do diálogo, com amigo, parente e afins eu dou minha opinião, falo o que penso daquele assunto. Daí, menos de cinco minutos depois eu me arrependo por sair dando receitas de vida, fórmulas de cotidiano, emitindo juízos etc. O pensamento que me ocorre é: “Meu Deus, quem sou eu para entrar na vida dele ou dela sem ser solicitada”. Nem sei se realmente tenho incomodado esses terceiros, se tenho causado aborrecimentos com minha inoportuna e invasiva opinião. Refletindo sobre isso, decidi que não devo me manifestar em casas, vidas e lares de terceiros a menos que seja solicitada. Diz o sábio ditado que cada macaco deve ficar no seu galho. Quem penso que sou ou que direitos tenho para chegar sem ser solicitada e começar a dar minhas consultas, consultorias e julgamentos ? Dizem, também, que quando colocamos as coisas no papel o nosso compromisso com elas aumenta, toma corpo além das letras. Que seja assim. Botando o ponto final nesse texto, começo a me comprometer comigo para me libertar desse vício e me ocupar de dar opinião em quem realmente precisa escutar meus conselhos: eu. A me ocupar em querer dar jeito na única vida que me diz veramente respeito: a minha. Que eu me sacrifique para aprender a usar os meus ouvidos e aposentar minha bendita língua... Amém. ●
16 de outubro de 2009
CHEGOU PRA FICAR
Deus não se cansa de nos surpreender. Quando menos esperamos, de onde menos imaginamos vêm mimos do Céu pra acrescentar coisas boas na nossa vida. É bem fato que muitas vezes, imersos na correria do dia-a-dia podemos não nos dar conta das coisas e pessoas especiais que acontecem ao nosso redor. Mas com um pouquinho de boa vontade e sabedoria podemos perceber raios de luz celeste brilhando bem do nosso ladinho...
Tempos atrás, mais precisamente há um ano, Deus resolveu me presentear com um mimo que vou levar pra vida toda. Ganhei um irmão mais velho. Irmãos desses de coração, de alma, que a vida às vezes põe na nossa vida, pra ajudar na caminhada. Um presente em forma de gente.
Muito engraçado, porque há pessoas que estão no nosso convívio todos os dias e pouco ou nada fazem de diferença em nós. Sei que a recíproca também é verdadeira e muitas vezes nada acrescentamos também àqueles que nos rodeiam. Não gosto de culpa, nem de cobrança. Acredito, sim, nos encontros de almas, em vidas que caminham lado a lado por cumplicidade de idéias, proximidade de objetivos etc. Eu e esse meu irmão mais velho, nem nos conhecemos pessoalmente. Conhecimento de longe, aproximado graças à fantástica diminuição das distâncias promovida pelos meios de comunicação, principalmente a internet. Tenho aprendido muitíssimo com ele. Aprendido a lutar de pé, mesmo quando as coisas ruins da vida quase nos prostram no chão. Aprendido a acreditar mais em mim e esperar menos do escasso tempo dos outros. Aprendido que somos os responsáveis pela maneira como vamos conduzindo o timão do barco da nossa vida. Aprendido até que é melhor rir do que não dá certo e seguir em frente, pra não impedir que o movimento da vida aconteça. O devir das coisas. Como é bom trocar experiências de vida com quem já viveu do melhor e do pior. Com quem escolhe acolher o pior para crescer como pessoa e extrair o melhor disso. Com quem aprende a se superar por si a cada manhã. Focar nas possibilidades do hoje.
Nossa, eu fico muito agradecida a papai-doCéu por me aumentar assim, sem me avisar, a minha família do coração. Por agregar parentes que não têm meus laços de sangue, mas que me fazem pulsar melhor. Querido, saiba que você chegou pra ficar. Já tem lugar de honra nas acomodações do meu coração, viu ? Vamos juntos, assim, família de Cristo... ●
Tempos atrás, mais precisamente há um ano, Deus resolveu me presentear com um mimo que vou levar pra vida toda. Ganhei um irmão mais velho. Irmãos desses de coração, de alma, que a vida às vezes põe na nossa vida, pra ajudar na caminhada. Um presente em forma de gente.
Muito engraçado, porque há pessoas que estão no nosso convívio todos os dias e pouco ou nada fazem de diferença em nós. Sei que a recíproca também é verdadeira e muitas vezes nada acrescentamos também àqueles que nos rodeiam. Não gosto de culpa, nem de cobrança. Acredito, sim, nos encontros de almas, em vidas que caminham lado a lado por cumplicidade de idéias, proximidade de objetivos etc. Eu e esse meu irmão mais velho, nem nos conhecemos pessoalmente. Conhecimento de longe, aproximado graças à fantástica diminuição das distâncias promovida pelos meios de comunicação, principalmente a internet. Tenho aprendido muitíssimo com ele. Aprendido a lutar de pé, mesmo quando as coisas ruins da vida quase nos prostram no chão. Aprendido a acreditar mais em mim e esperar menos do escasso tempo dos outros. Aprendido que somos os responsáveis pela maneira como vamos conduzindo o timão do barco da nossa vida. Aprendido até que é melhor rir do que não dá certo e seguir em frente, pra não impedir que o movimento da vida aconteça. O devir das coisas. Como é bom trocar experiências de vida com quem já viveu do melhor e do pior. Com quem escolhe acolher o pior para crescer como pessoa e extrair o melhor disso. Com quem aprende a se superar por si a cada manhã. Focar nas possibilidades do hoje.
Nossa, eu fico muito agradecida a papai-doCéu por me aumentar assim, sem me avisar, a minha família do coração. Por agregar parentes que não têm meus laços de sangue, mas que me fazem pulsar melhor. Querido, saiba que você chegou pra ficar. Já tem lugar de honra nas acomodações do meu coração, viu ? Vamos juntos, assim, família de Cristo... ●
6 de outubro de 2009
APENAS ME CALO
Quando não consigo resolver os problemas ao meu redor,
quando não consigo compreender os acontecimentos do dia a dia,
me ponho diante de Deus,
e apenas me calo.
Me calo não porque me falte a voz.
Me calo porque preciso acreditar
e aprender a confiar que tudo está nas mãos Dele.
Mãos que afagam,
mãos que levantam,
mãos que sustentam.
Apenas me calo,
porque escolho viver a promessa de que Ele vela por nós.
Escolho crer que tudo o que acontece aqui
tem um propósito maior vindo dos altos Céus.
Por isso, por não entender o que acontece,
por que assim acontece,
apenas me calo. ●
quando não consigo compreender os acontecimentos do dia a dia,
me ponho diante de Deus,
e apenas me calo.
Me calo não porque me falte a voz.
Me calo porque preciso acreditar
e aprender a confiar que tudo está nas mãos Dele.
Mãos que afagam,
mãos que levantam,
mãos que sustentam.
Apenas me calo,
porque escolho viver a promessa de que Ele vela por nós.
Escolho crer que tudo o que acontece aqui
tem um propósito maior vindo dos altos Céus.
Por isso, por não entender o que acontece,
por que assim acontece,
apenas me calo. ●
CONHEÇO OS TONS REAIS
Só quem já provou a dor,
quem sofreu, se amargurou,
viu a cruz e a vida em tons reais.
Engraçado como certas frases parecem que foram escritas por outra pessoas diretamente pra gente. Essa música me diz muito além da aparente significância desses versos. Não é à toa que quando os escuto, cada vez que isso acontece, me perco nos meus pensamentos e me passam na mente vários flashes do filme da minha vida. Certamente, o autor também trouxe à memória pensamentos e lembranças quando se debruçou sobre o fantástico mundo das palavras e conseguiu traduzir nessas poucas linhas o sentimento mais agudo e universal aos seres humanos: a dor. De dor não se fala quando não se sente, não se conhece. Com muita boa vontade e alta dose de generosidade, consegue-se aproximar da imaginação e tentar descrever aquilo que só tem propriedade para falar quem já sentiu na carne da pele, do físico, ou na carne do coração, do emocional da coisa.
Parece redundante, mas é muito doído sentir dor... Machuca mesmo, mina forças, quando lateja a alma da gente. Tão doído quanto a dor física é a dor de sentir dor sozinho, na frieza da solidão. Quando não se tem a companhia daqueles por quem se teve tanta estima, ao longo dos dias de festa, quando as coisas “andavam bem”. Quando se vê sozinho, velando pelo sono de um querido, que repousa suas mazelas num leito de hospital, e aquela madrugada não acaba, e aquele telefone não toca, e aquela visita confortante nunca chega. E você, num ato de desespero, de grito daquele silêncio maçante que sufoca, pega o telefone pra dividir aquele peso que sufoca a alma. E numa inesperada decepção ouve do outro lado planos, convites pra saídas e tudo o que não imaginara ouvir, coisas das quais você não pode fazer parte. Conheço essa realidade. Sou sobrevivente dela... E quando passa o turbilhão, e as águas começam a serenar, e a gente ainda está naquele torpor de decepção.
Por isso, só quem já provou a dor, sofreu e se amargurou viu o tom real da vida. Carregou o indesejado peso da cruz. Meu Deus, como é duro carregar a cruz sozinha... Levantar, com os joelhos trôpegos e sair cambaleando para lá e para cá, tendo que dar conta de mais um dia. De vários dias. E seus “amigos”? Ah, de balada em balada, de churrasco em churrasco, de show em show, vivendo uma vida alheia à sua, se ocupando das futilidades da vida. E você lá, relegada, comendo comida ruim, dormindo numa cadeira desconfortável, longe da sua própria vida, amparada por você mesma.
Fiz vários testes. Aprovada em uns, reprovada noutros, mas freqüentando regularmente os bancos da escola da vida... Aprendi no frio da madrugada que podemos contar com poucas pessoas na hora da dor. Contar mesmo, de verdade. Aprendi que preciso descobrir forças em mim mesma, porque os outros não costumam ter tempo pra mim. Aprendi que amigos pra passear são muitos, mas pra visitar em hospital nem quase existem. Muitos daqueles que freqüentam minha casa não quiseram freqüentar aquela casa fria, de paredes que guardam lágrimas. Tem uma pessoa muito especial precisando dos meus cuidados e naquele momento sou Jesus na vida dela. Ela também é Jesus na minha. Me ensina a carregar a cruz e me ajuda naquilo que pode. Me ajuda com um sorriso de superação, de luta pelo bem maior que é a vida. Os outros? Continuarão sendo sempre os outros. Ainda mais quando os percebo bem mais distantes do que eu os imaginava... ●
quem sofreu, se amargurou,
viu a cruz e a vida em tons reais.
Engraçado como certas frases parecem que foram escritas por outra pessoas diretamente pra gente. Essa música me diz muito além da aparente significância desses versos. Não é à toa que quando os escuto, cada vez que isso acontece, me perco nos meus pensamentos e me passam na mente vários flashes do filme da minha vida. Certamente, o autor também trouxe à memória pensamentos e lembranças quando se debruçou sobre o fantástico mundo das palavras e conseguiu traduzir nessas poucas linhas o sentimento mais agudo e universal aos seres humanos: a dor. De dor não se fala quando não se sente, não se conhece. Com muita boa vontade e alta dose de generosidade, consegue-se aproximar da imaginação e tentar descrever aquilo que só tem propriedade para falar quem já sentiu na carne da pele, do físico, ou na carne do coração, do emocional da coisa.
Parece redundante, mas é muito doído sentir dor... Machuca mesmo, mina forças, quando lateja a alma da gente. Tão doído quanto a dor física é a dor de sentir dor sozinho, na frieza da solidão. Quando não se tem a companhia daqueles por quem se teve tanta estima, ao longo dos dias de festa, quando as coisas “andavam bem”. Quando se vê sozinho, velando pelo sono de um querido, que repousa suas mazelas num leito de hospital, e aquela madrugada não acaba, e aquele telefone não toca, e aquela visita confortante nunca chega. E você, num ato de desespero, de grito daquele silêncio maçante que sufoca, pega o telefone pra dividir aquele peso que sufoca a alma. E numa inesperada decepção ouve do outro lado planos, convites pra saídas e tudo o que não imaginara ouvir, coisas das quais você não pode fazer parte. Conheço essa realidade. Sou sobrevivente dela... E quando passa o turbilhão, e as águas começam a serenar, e a gente ainda está naquele torpor de decepção.
Por isso, só quem já provou a dor, sofreu e se amargurou viu o tom real da vida. Carregou o indesejado peso da cruz. Meu Deus, como é duro carregar a cruz sozinha... Levantar, com os joelhos trôpegos e sair cambaleando para lá e para cá, tendo que dar conta de mais um dia. De vários dias. E seus “amigos”? Ah, de balada em balada, de churrasco em churrasco, de show em show, vivendo uma vida alheia à sua, se ocupando das futilidades da vida. E você lá, relegada, comendo comida ruim, dormindo numa cadeira desconfortável, longe da sua própria vida, amparada por você mesma.
Fiz vários testes. Aprovada em uns, reprovada noutros, mas freqüentando regularmente os bancos da escola da vida... Aprendi no frio da madrugada que podemos contar com poucas pessoas na hora da dor. Contar mesmo, de verdade. Aprendi que preciso descobrir forças em mim mesma, porque os outros não costumam ter tempo pra mim. Aprendi que amigos pra passear são muitos, mas pra visitar em hospital nem quase existem. Muitos daqueles que freqüentam minha casa não quiseram freqüentar aquela casa fria, de paredes que guardam lágrimas. Tem uma pessoa muito especial precisando dos meus cuidados e naquele momento sou Jesus na vida dela. Ela também é Jesus na minha. Me ensina a carregar a cruz e me ajuda naquilo que pode. Me ajuda com um sorriso de superação, de luta pelo bem maior que é a vida. Os outros? Continuarão sendo sempre os outros. Ainda mais quando os percebo bem mais distantes do que eu os imaginava... ●
27 de setembro de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"O difícil leva um tempinho. O impossível é o que leva um pouquinho mais..." (Fridtjof Nansen)
26 de setembro de 2009
QUERO A PRIMAVERA EM MIM
Há três dias começou oficialmente a Primavera. E ao virar dos ponteiros, com hora marcada, começaram a desabrochar belas espécies de flores ao nosso redor. Não, não é bem assim. A oficialidade da coisa, acredito, existe mais para convencer nosso racional cérebro do que para autorizar que os jardins venham colorir ainda mais os nossos dias.
Nós, humanos, vivemos a dualidade do emocional x racional. Assim, não podemos nos furtar de assumir a responsabilidade de fortalecer um lado mais que o outro à medida que vão aparecendo as situações à nossa frente. Por isso, a necessidade de haver um calendário que nos avise que acabou o tempo velho e já é chegado o novo tempo. Agora, a primavera. Daí, então, parece que começamos a enxergar os jardins ao lado, a sentir o perfume daquela roseira antiga no quintal. Funcionou ! O cérebro aceitou o estímulo do contar dos dias e o coração se entregou a essa nova percepção da realidade que por ali estivera esquecida.
Primavera é tempo de colorir os dias. De enfeitar a alma. Com o pretexto de prestigiar esse presente tão belo da natureza, inspiramos um ar mais puro e cedemos ao poder da contemplação da estética inventada por Deus. Curvamo-nos diante dos verdes, que renovam nossas esperanças e acalmam nossas inquietudes. Dos amarelos e laranjas, que revigoram nossas energias. Dos vermelhos, que acendem nossas paixões. Dos azuis e violetas, que nos serenizam nosso espírito. É raro ficar indiferente diante da gama de possibilidades que a beleza das flores nos oferece. Do perfume, das cores, da singeleza do gesto de presentear ou, simplesmente, enfeitar a casa.
Quero a primavera em mim. Quero florir ao meu redor e florescer diante da vida. Quero aproveitar essa inspiração para desabrochar sonhos, concretizar planos ou, apenas, viver bem esses dias de cores mil. Quero colher novas esperanças no meu jardim. Mas não vou me acomodar ao gesto da colheita. Vou plantar sementes que só possam frutificar com o passar dos meses, quem sabe na próxima primavera. Quero aprender com essas mudanças na natureza e entender que elas são metáforas da vida. Do frio da alma, representado pelo inverno. Do cair das folhas no outono, até chegar a felicidade simples na existência da primavera. Sinta o perfume das flores ao seu redor. Basta querer... ●
Nós, humanos, vivemos a dualidade do emocional x racional. Assim, não podemos nos furtar de assumir a responsabilidade de fortalecer um lado mais que o outro à medida que vão aparecendo as situações à nossa frente. Por isso, a necessidade de haver um calendário que nos avise que acabou o tempo velho e já é chegado o novo tempo. Agora, a primavera. Daí, então, parece que começamos a enxergar os jardins ao lado, a sentir o perfume daquela roseira antiga no quintal. Funcionou ! O cérebro aceitou o estímulo do contar dos dias e o coração se entregou a essa nova percepção da realidade que por ali estivera esquecida.
Primavera é tempo de colorir os dias. De enfeitar a alma. Com o pretexto de prestigiar esse presente tão belo da natureza, inspiramos um ar mais puro e cedemos ao poder da contemplação da estética inventada por Deus. Curvamo-nos diante dos verdes, que renovam nossas esperanças e acalmam nossas inquietudes. Dos amarelos e laranjas, que revigoram nossas energias. Dos vermelhos, que acendem nossas paixões. Dos azuis e violetas, que nos serenizam nosso espírito. É raro ficar indiferente diante da gama de possibilidades que a beleza das flores nos oferece. Do perfume, das cores, da singeleza do gesto de presentear ou, simplesmente, enfeitar a casa.
Quero a primavera em mim. Quero florir ao meu redor e florescer diante da vida. Quero aproveitar essa inspiração para desabrochar sonhos, concretizar planos ou, apenas, viver bem esses dias de cores mil. Quero colher novas esperanças no meu jardim. Mas não vou me acomodar ao gesto da colheita. Vou plantar sementes que só possam frutificar com o passar dos meses, quem sabe na próxima primavera. Quero aprender com essas mudanças na natureza e entender que elas são metáforas da vida. Do frio da alma, representado pelo inverno. Do cair das folhas no outono, até chegar a felicidade simples na existência da primavera. Sinta o perfume das flores ao seu redor. Basta querer... ●
20 de setembro de 2009
18 de setembro de 2009
QUERO AS CHAVES SEMPRE NAS MINHAS MÃOS
Esse negócio de sentimento é complicado... Por que umas pessoas se atraem umas pelas outras? O que nos faz fitar os olhos em um determinado alguém? Até aqui não acredito que os opostos se atraem. Não consigo imaginar como o que de tão contrário enxergo no outro possa me completar e a ausência disso me fazer falta. Comigo não funciona assim. Então, o que me atrai, por que me atrai? Acredito, sim, que enxergo no outro alguma coisa de que gosto e não a vejo em mim. Pode ser que exista, mas esteja lá, tão escondida que eu ainda não a tenha localizado, descoberto nos recônditos do meu ser. Quem sabe, eu ainda não tenha encontrado a chave que faça abrir esse compartimento ainda não visitado.
Quero aprender a enxergar no outro o que me faz falta e arregaçar as mangas para procurar isso em mim, sem pressa, até encontrar. Afinal o que está no outro é literalmente do outro. Me atrai, me completa por uns momentos, mas continua ausente em mim. É fugaz. Por isso, não quero mais ter preguiça de cavar meu próprio poço, pescar meu próprio peixe. Posso até aceitar o anzol emprestado, mas não vou mais aceitar o peixe já frito...
Esse negócio de atração é complicado... Às vezes, a gente nem percebe, alguém chega de mansinho, pega a tal da chave e vai passeando por esses recônditos quando bem quer. Chave nas mãos, entra e sai quando bem entende e a gente nem dá falta da tal chave. Mas isso não é o pior. Pior ainda é quando a gente mesma pega a fatídica chave, entrega nas mãos de alguém que a deixa desleixadamente por aí, não dando importância pra esse elemento de acesso ao nosso ser mais íntimo. Daí, certa hora, a gente resolve pegar a chave de volta, pra botar ordem na casa. Para nossa surpresa, a pessoa responde despreocupadamente que não se recorda nem de ter recebido a dita chave... Culpa dela? Não. Culpa nossa, mesmo. Aí, pra recuperar essa chave... É uma dor de cabeça danada. Vai a gente procurar nossa identidade por aí, sem saber nem mais como bem era ou se era ainda alguém...
A maturidade nos estimula a acordar pra vida e não deixar o tempo passar irresponsavelmente. A idade que se foi nos leva a inocência e nos alerta de que somos diretamente prejudicados pela nossa omissão por nós mesmos. Quero sempre ter as minhas chaves em minhas mãos. Daí, vou entregando a quem achar que devo e tomando de volta com a mesma autonomia. São minhas as chaves. Do meu coração e da minha vida todinha, mesmo. Não quero mais esse negócio de ir deixando as chaves por aí, em mãos alheias quaisquer. De ir entregando meus tesouros em mãos que não se interessem em lapidar meus diamantes, em tirar a poeira das minhas pérolas.
Sou amante da gratuidade dos afetos, mas dou um valor danado ao zelo. Ao cuidado amoroso, à atenção revigorante. Quem pega minhas chaves e as deixa por aí, esparramadas em lugares quaisquer, apenas me mostra que esse é o lugar ocupo: um qualquer. Mas também só as pega uma vez. Não quero mais qualquer coisa, tampouco ocupar qualquer lugar. Quero ser eu, na minha completude, com todas as minhas possibilidades e limitações. Com minhas poeiras e pérolas. Aos displicentes de plantão, fica o aviso: de vez em quando troco minhas fechaduras... E de antemão já aviso: as minhas chaves sempre estarão nas minhas mãos. ●
Quero aprender a enxergar no outro o que me faz falta e arregaçar as mangas para procurar isso em mim, sem pressa, até encontrar. Afinal o que está no outro é literalmente do outro. Me atrai, me completa por uns momentos, mas continua ausente em mim. É fugaz. Por isso, não quero mais ter preguiça de cavar meu próprio poço, pescar meu próprio peixe. Posso até aceitar o anzol emprestado, mas não vou mais aceitar o peixe já frito...
Esse negócio de atração é complicado... Às vezes, a gente nem percebe, alguém chega de mansinho, pega a tal da chave e vai passeando por esses recônditos quando bem quer. Chave nas mãos, entra e sai quando bem entende e a gente nem dá falta da tal chave. Mas isso não é o pior. Pior ainda é quando a gente mesma pega a fatídica chave, entrega nas mãos de alguém que a deixa desleixadamente por aí, não dando importância pra esse elemento de acesso ao nosso ser mais íntimo. Daí, certa hora, a gente resolve pegar a chave de volta, pra botar ordem na casa. Para nossa surpresa, a pessoa responde despreocupadamente que não se recorda nem de ter recebido a dita chave... Culpa dela? Não. Culpa nossa, mesmo. Aí, pra recuperar essa chave... É uma dor de cabeça danada. Vai a gente procurar nossa identidade por aí, sem saber nem mais como bem era ou se era ainda alguém...
A maturidade nos estimula a acordar pra vida e não deixar o tempo passar irresponsavelmente. A idade que se foi nos leva a inocência e nos alerta de que somos diretamente prejudicados pela nossa omissão por nós mesmos. Quero sempre ter as minhas chaves em minhas mãos. Daí, vou entregando a quem achar que devo e tomando de volta com a mesma autonomia. São minhas as chaves. Do meu coração e da minha vida todinha, mesmo. Não quero mais esse negócio de ir deixando as chaves por aí, em mãos alheias quaisquer. De ir entregando meus tesouros em mãos que não se interessem em lapidar meus diamantes, em tirar a poeira das minhas pérolas.
Sou amante da gratuidade dos afetos, mas dou um valor danado ao zelo. Ao cuidado amoroso, à atenção revigorante. Quem pega minhas chaves e as deixa por aí, esparramadas em lugares quaisquer, apenas me mostra que esse é o lugar ocupo: um qualquer. Mas também só as pega uma vez. Não quero mais qualquer coisa, tampouco ocupar qualquer lugar. Quero ser eu, na minha completude, com todas as minhas possibilidades e limitações. Com minhas poeiras e pérolas. Aos displicentes de plantão, fica o aviso: de vez em quando troco minhas fechaduras... E de antemão já aviso: as minhas chaves sempre estarão nas minhas mãos. ●
13 de setembro de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando. Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu." (Luís Fernando Veríssimo)
10 de setembro de 2009
TENHO APRENDIDO A VOAR...
Descobri há pouco tempo uma nova maneira de viver: levemente. E essa leveza me permite fazer coisas até então inimagináveis. Voar é uma delas. Tenho aprendido a voar...
Quando me perco na imensidão azul do céu, meus pés não tocam mais o chão, meus ouvidos não ouvem mais os barulhos rasteiros da Terra, meus olhos podem contemplar a imensidão do horizonte.
Ficam jogados no chão os meus problemas, os meus insucessos, as minhas frustrações, tudo o que não deu certo em mim nem para mim. Vejo lá esparramados meus medos, minhas angústias, meus desconsolos. Escorrendo pelo rio da vida, desembocando no oceano do ontem que não volta mais.
Lá pra cima, sobem comigo muitas coisas. Mas não me pesam porque todas são leves e, por isso, não me impedem de voar. Sobem os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha fé na certeza de que vale a pena aceitar o desafio de viver apenas o dia de hoje e da melhor maneira possível. Assim, convivo em paz com meus melhores sentimentos: os que me nutrem a alma e curam meu corpo.
De uns tempos pra cá, a melhor coisa que fiz foi comprar esse par de asas e me aventurar sozinha a aprender a voar. Cansei de pedir asas emprestadas. Decidi assim, subitamente. E uma vez em posse das minhas próprias asas, não fiquei esperando que ninguém se dispusesse ou me atrasasse (com falsas promessas) o processo do aprendizado do vôo. Vou começar voando baixo até adquirir confiança, pensei. Vou subindo aos poucos e me sentindo mais segura nessa nova empreitada de ser: alada.
Findo mais um vôo, mente arejada, fôlego renovado, eu volto. Volto aos desígnios da Terra, recolho lá o que me interessa para prosseguir a caminhada. Mas volto leve e assim escolho bem viver: sem me tornar peso aos outros, nem pesar sobre mim mesma. Vivendo num sopro, num leve sussurro. Dia a dia. Até o próximo vôo. ●
Quando me perco na imensidão azul do céu, meus pés não tocam mais o chão, meus ouvidos não ouvem mais os barulhos rasteiros da Terra, meus olhos podem contemplar a imensidão do horizonte.
Ficam jogados no chão os meus problemas, os meus insucessos, as minhas frustrações, tudo o que não deu certo em mim nem para mim. Vejo lá esparramados meus medos, minhas angústias, meus desconsolos. Escorrendo pelo rio da vida, desembocando no oceano do ontem que não volta mais.
Lá pra cima, sobem comigo muitas coisas. Mas não me pesam porque todas são leves e, por isso, não me impedem de voar. Sobem os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha fé na certeza de que vale a pena aceitar o desafio de viver apenas o dia de hoje e da melhor maneira possível. Assim, convivo em paz com meus melhores sentimentos: os que me nutrem a alma e curam meu corpo.
De uns tempos pra cá, a melhor coisa que fiz foi comprar esse par de asas e me aventurar sozinha a aprender a voar. Cansei de pedir asas emprestadas. Decidi assim, subitamente. E uma vez em posse das minhas próprias asas, não fiquei esperando que ninguém se dispusesse ou me atrasasse (com falsas promessas) o processo do aprendizado do vôo. Vou começar voando baixo até adquirir confiança, pensei. Vou subindo aos poucos e me sentindo mais segura nessa nova empreitada de ser: alada.
Findo mais um vôo, mente arejada, fôlego renovado, eu volto. Volto aos desígnios da Terra, recolho lá o que me interessa para prosseguir a caminhada. Mas volto leve e assim escolho bem viver: sem me tornar peso aos outros, nem pesar sobre mim mesma. Vivendo num sopro, num leve sussurro. Dia a dia. Até o próximo vôo. ●
6 de setembro de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
“O homem não é perturbado pelos eventos, mas pela visão que tem deles.” (Epicteto)
31 de agosto de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." (Confúcio)
28 de agosto de 2009
A ESCATOLOGIA DO HOJE
Gosto muito da certeza de que nossos pensamentos evoluem com o passar dos dias e o aprofundar nos nossos conhecimentos. Há tempos ouço falar sobre o fim do mundo, a consumação do século. Um evento esperado pelos cristãos, sobre o qual não se sabe a data, mas sabe-se que acontecerá.
Em contato com um pensamento até então diferente do meu, comecei a enxergar a escatologia, o estudo do fim dos tempos, como um evento marcado para acontecer ainda no dia de hoje. Explico melhor. Uma reflexão mais lúcida ou até inteligente que nos conduz a pensar que o fim do mundo se realiza quando termino meu dia de hoje. Quando faço adormecer comigo minhas possibilidades, meus temores, minhas expectativas, minhas frustrações, minhas realizações. Minhas chances de dar certo, ou não. De transformar o mundo a partir de mim, ou não. Isso não significa negar que haverá o dia da volta de Cristo, do qual nos fala a Sagrada Escritura, a Palavra de Deus. Significa, sim, me reconhecer responsável pelo que depende de mim nesse espaço temporal condensado no dia de hoje. Assim, preciso me fazer agente na diminuição das mazelas do mundo, na semeadura de palavras de esperança, no desejo de fazer com que hoje seja melhor que ontem.
Não quero mais seguir o pensamento ora irresponsável dos apocalípticos de plantão. Daqueles que muito se apegam aos detalhes simbólicos associados aos eventos do fim dos tempos. Se cairá ou não fogo do céu, se Jesus voltará antes ou depois do meio-dia, por exemplo. Quero seguir, sim, essa proposta escatológica da consumação no hoje. De socorrer meu coração faminto e outros tantos ao meu redor. Famintos de pão que alimente o corpo e a alma. Sedentos de água viva que promova uma vida nova a partir desse instante, movidos pela crença na transformação a partir da inspiração divina.
Que o juízo final aconteça agora nos nossos corações. Que não sejamos condenados pela nossa própria consciência negligente. Mas, sim, que sejamos absolvidos pelo tribunal dos nossos olhos. Que eles nos permitam enxergar que há luz para onde se caminhar, lado a lado, com os que se encorajarem a não desistir de recomeçar quantas vezes for necessário ainda no dia de hoje. Enquanto não chega o fim. ●
Em contato com um pensamento até então diferente do meu, comecei a enxergar a escatologia, o estudo do fim dos tempos, como um evento marcado para acontecer ainda no dia de hoje. Explico melhor. Uma reflexão mais lúcida ou até inteligente que nos conduz a pensar que o fim do mundo se realiza quando termino meu dia de hoje. Quando faço adormecer comigo minhas possibilidades, meus temores, minhas expectativas, minhas frustrações, minhas realizações. Minhas chances de dar certo, ou não. De transformar o mundo a partir de mim, ou não. Isso não significa negar que haverá o dia da volta de Cristo, do qual nos fala a Sagrada Escritura, a Palavra de Deus. Significa, sim, me reconhecer responsável pelo que depende de mim nesse espaço temporal condensado no dia de hoje. Assim, preciso me fazer agente na diminuição das mazelas do mundo, na semeadura de palavras de esperança, no desejo de fazer com que hoje seja melhor que ontem.
Não quero mais seguir o pensamento ora irresponsável dos apocalípticos de plantão. Daqueles que muito se apegam aos detalhes simbólicos associados aos eventos do fim dos tempos. Se cairá ou não fogo do céu, se Jesus voltará antes ou depois do meio-dia, por exemplo. Quero seguir, sim, essa proposta escatológica da consumação no hoje. De socorrer meu coração faminto e outros tantos ao meu redor. Famintos de pão que alimente o corpo e a alma. Sedentos de água viva que promova uma vida nova a partir desse instante, movidos pela crença na transformação a partir da inspiração divina.
Que o juízo final aconteça agora nos nossos corações. Que não sejamos condenados pela nossa própria consciência negligente. Mas, sim, que sejamos absolvidos pelo tribunal dos nossos olhos. Que eles nos permitam enxergar que há luz para onde se caminhar, lado a lado, com os que se encorajarem a não desistir de recomeçar quantas vezes for necessário ainda no dia de hoje. Enquanto não chega o fim. ●
25 de agosto de 2009
NOSSOS AMIGOS COR DE LARANJA
Quero deixar aqui registrada a minha predileção e meu respeito por uns profissionais que são tão desprezados na nossa sociedade: os garis. Vejo por aí muitas pessoas reclamando por tão pouco. Amarram a cara o dia todo todos os dias porque são secretárias, médicos, advogados, empresários, donas-de-casa. Reclamam porque passam o dia atendendo telefone, atendendo paciente, lavando louça etc. O que dizer dos garis? Passam o dia inteiro, todos os dias, ano após ano correndo atrás de um caminhão de lixo. O que é lixo? É resto, sobra, descarte, dejeto. Meu Deus, como pode uma pessoa sair de casa disposta a correr horas a fio atrás de um caminhão que exala cheiro fétido. Além disso, tem outro lado ainda pior: o psicológico. Ser discriminado, confundido com a carga do caminhão. Imagine um gari ao fim do dia. Mãos impregnadas do cheiro que ultrapassa a aspereza das luvas. Pernas cansadas de correr atrás do que queremos nos livrar. Olfato judiado por tanta podridão. E olhos marejados pelo desprezo de quem se esquece que gari também é gente...
A profissão de gari é uma profissão corajosa e nobre. É preciso muita auto-estima para não se deixar confundir com toda aquela imundície. É preciso esquecer-se dela quando chegar o fim da jornada. O trabalho dos garis é indispensável. Imagine se todos eles resolvessem mudar de profissão ou se sentissem aborrecidos pelo desdém social e cruzassem os braços. Quem já leu ou assistiu a obra Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, me compreende melhor. Caoticamente, a vida seguiria sem a contribuição valiosa dos nossos amigos cor de laranja. Curvemo-nos respeitosamente diante desses profissionais que ainda não têm seu valor reconhecido no salário, tampouco nos olhos embaçados da sociedade. Que eles tenham a graça de aprender a enxergar além do caminhão de lixo. Que possam se encorajar sempre a acreditar que o valor do ser humano está na essência do que se é e não do que se tem ou quanto se tem. Desejo isso. Que corram atrás de um caminhão de sonhos, esperanças, amor próprio todos os dias. E que a carga contaminada do lixo que produzimos não lhes pareça mais que uma metáfora da verdadeira condição humana: o fim de ser pó. ●
A profissão de gari é uma profissão corajosa e nobre. É preciso muita auto-estima para não se deixar confundir com toda aquela imundície. É preciso esquecer-se dela quando chegar o fim da jornada. O trabalho dos garis é indispensável. Imagine se todos eles resolvessem mudar de profissão ou se sentissem aborrecidos pelo desdém social e cruzassem os braços. Quem já leu ou assistiu a obra Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, me compreende melhor. Caoticamente, a vida seguiria sem a contribuição valiosa dos nossos amigos cor de laranja. Curvemo-nos respeitosamente diante desses profissionais que ainda não têm seu valor reconhecido no salário, tampouco nos olhos embaçados da sociedade. Que eles tenham a graça de aprender a enxergar além do caminhão de lixo. Que possam se encorajar sempre a acreditar que o valor do ser humano está na essência do que se é e não do que se tem ou quanto se tem. Desejo isso. Que corram atrás de um caminhão de sonhos, esperanças, amor próprio todos os dias. E que a carga contaminada do lixo que produzimos não lhes pareça mais que uma metáfora da verdadeira condição humana: o fim de ser pó. ●
23 de agosto de 2009
21 de agosto de 2009
QUANDO EU CRESCER
“O que você quer ser quando você crescer ?” Despretensiosamente, encontrei hoje uma resposta coerente para essa fatídica pergunta que respondi umas mil vezes quando ainda era criança. Minha resposta, um pouco tardia, porém convicta, é: “Quero ser resiliente”.
Resiliência... Confesso que estou encantada com a importância do significado dessa palavra. Trazida da física para a psicologia, carrega o sentido da superação diante dos obstáculos da vida. Diante das pedras que vão aparecendo no nosso caminho. Às vezes, presenciamos acontecimentos idênticos que acometem várias pessoas, porém a reação de cada uma delas é particular. Umas permanecem paralisadas frente à dor. Outras conseguem reagir, passado o choque, e dão seguimento à reconstrução da vida. Continuam a caminhada, experimentando assim a tal da resiliência. Tal como o bambu, que se curva diante da força do vento que lhe ameaça a aparente fragilidade e assim consegue se manter de pé, firme, depois da impetuosidade do sopro.
É preciso estarmos dispostos a aceitar esse desafio. A pensarmos formas de aprendermos a nos movimentar acompanhando a direção dos ventos que sopram sobre nós. Sopram brisas suaves que nos embalam, mas sopram, também, ventos contrários quando menos esperamos. Acredito que uma maneira de nos encorajarmos a encontrar essa capacidade de resiliência dentro de nós seja pensarmos que estamos todos no mesmo barco. Deixemos a fragilidade do vidro e procuremos a flexibilidade do bambu... Busquemos a disposição de pelo menos nos empenhar em dar o próximo passo na estrada da vida. Vale à pena tentar brincar de ser gente grande. ●
Resiliência... Confesso que estou encantada com a importância do significado dessa palavra. Trazida da física para a psicologia, carrega o sentido da superação diante dos obstáculos da vida. Diante das pedras que vão aparecendo no nosso caminho. Às vezes, presenciamos acontecimentos idênticos que acometem várias pessoas, porém a reação de cada uma delas é particular. Umas permanecem paralisadas frente à dor. Outras conseguem reagir, passado o choque, e dão seguimento à reconstrução da vida. Continuam a caminhada, experimentando assim a tal da resiliência. Tal como o bambu, que se curva diante da força do vento que lhe ameaça a aparente fragilidade e assim consegue se manter de pé, firme, depois da impetuosidade do sopro.
É preciso estarmos dispostos a aceitar esse desafio. A pensarmos formas de aprendermos a nos movimentar acompanhando a direção dos ventos que sopram sobre nós. Sopram brisas suaves que nos embalam, mas sopram, também, ventos contrários quando menos esperamos. Acredito que uma maneira de nos encorajarmos a encontrar essa capacidade de resiliência dentro de nós seja pensarmos que estamos todos no mesmo barco. Deixemos a fragilidade do vidro e procuremos a flexibilidade do bambu... Busquemos a disposição de pelo menos nos empenhar em dar o próximo passo na estrada da vida. Vale à pena tentar brincar de ser gente grande. ●
18 de agosto de 2009
ESTAR PRONTO
“O estar pronto é tudo”, nos diz Hamlet. Essa máxima me vale como combustível para aqueles momentos em que as coisas não caminham bem do jeitinho que eu gostaria que caminhassem. Ah, se fosse no tempo da gente, como a gente quisesse... Mas, às vezes, ventos nos levam por caminhos que nos distanciam dos nossos sonhos, fazendo-os parecer impossíveis de tomarem forma de concretude, de serem tornados realidade.
O cristianismo que habita em mim me leva a acreditar que os planos de Deus jamais serão frustrados ou deixarão de se realizar. Os meus olhos naturais são limitados a me mostrar apenas o que já está perto, próximo de mim. Mas os meus olhos da fé me permitem e encorajam a enxergar no vazio do que ainda não existe na materialidade da vida.
Preciso fazer do meu coração um jardim onde meus sonhos possam ser acalentados. Certamente, o que estiver escrito nos Céus chegará até mim. Se concretizará, terá existência na vida real. Se for para eu ter acesso a uma fatia do bolo, a bandeja passará na minha frente. E eu vou aceitar. Se eu estiver pronta, na hora certa reconhecerei o som da brisa aos meus ouvidos, me anunciando que é chegada a hora do doce momento do encontro. Eu escolho pensar assim...●
O cristianismo que habita em mim me leva a acreditar que os planos de Deus jamais serão frustrados ou deixarão de se realizar. Os meus olhos naturais são limitados a me mostrar apenas o que já está perto, próximo de mim. Mas os meus olhos da fé me permitem e encorajam a enxergar no vazio do que ainda não existe na materialidade da vida.
Preciso fazer do meu coração um jardim onde meus sonhos possam ser acalentados. Certamente, o que estiver escrito nos Céus chegará até mim. Se concretizará, terá existência na vida real. Se for para eu ter acesso a uma fatia do bolo, a bandeja passará na minha frente. E eu vou aceitar. Se eu estiver pronta, na hora certa reconhecerei o som da brisa aos meus ouvidos, me anunciando que é chegada a hora do doce momento do encontro. Eu escolho pensar assim...●
16 de agosto de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"A utopia está no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte se distancia dez passos mais além. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar." (Eduardo Galeano)
9 de agosto de 2009
AOS MEUS PAIS
Neste dia dos pais, quero agradecer.
Somente palavras de gratidão.
Agradeço aos meus dois pais.
Por tudo o que fizeram, fazem e ainda farão por mim.
Pelas noites em claro quando eu era bebê.
Pelos passeios nos arredores de casa.
Pela paciência em tentar me fazer aprender matemática. (risos)
Pelo entusiasmo nas minhas vitórias.
Pelo silêncio nas minhas derrotas.
Pela ajuda, o ombro amigo, as mãos de afago.
Pelo olhar compreensivo, pela voz doce.
Obrigada, Adalberto, daqui da terra dos viventes.
Obrigada, Deus, dos mais altos Céus. Obrigada por ajudar meu pai daqui da terra a me ensinar a buscar o caminho que me conduz ao Seu coração de Pai Eterno: o amor.
Amém. ●
Somente palavras de gratidão.
Agradeço aos meus dois pais.
Por tudo o que fizeram, fazem e ainda farão por mim.
Pelas noites em claro quando eu era bebê.
Pelos passeios nos arredores de casa.
Pela paciência em tentar me fazer aprender matemática. (risos)
Pelo entusiasmo nas minhas vitórias.
Pelo silêncio nas minhas derrotas.
Pela ajuda, o ombro amigo, as mãos de afago.
Pelo olhar compreensivo, pela voz doce.
Obrigada, Adalberto, daqui da terra dos viventes.
Obrigada, Deus, dos mais altos Céus. Obrigada por ajudar meu pai daqui da terra a me ensinar a buscar o caminho que me conduz ao Seu coração de Pai Eterno: o amor.
Amém. ●
4 de agosto de 2009
TESTANDO O PALADAR
Bem direto: Que gosto tem a vida ? Hummm... Para uns a vida é doce e gostosa como um brigadeiro. Para outros, amarga como um pedaço de jiló. Qual será o segredo do sabor da vida ? Se todos estamos sujeitos a todas as coisas, como explicar ? O poder daquela pitada está exclusivamente nas mãos de Deus, o Cozinheiro ? Está nos temperos que Ele emprega ? Certamente, não... Um pouco de reflexão nos leva a concluir que o sabor da vida está mais no paladar de quem a saboreia. Comer não se resume a mastigar e engolir. É mais que isso. É contemplar a beleza da combinação das cores no prato, aguçar o paladar pelo aroma, despertar a sensação de prazer à mesa. Assim, viver não pode significar negligenciar a riqueza do cotidiano, reclamar do dissabor do dia a dia.
Escuto frases do tipo: “não agüento mais meu emprego”, “minha vida é muito sem graça” etc. Diz o ditado que vida boa é a do vizinho. Às vezes, pensamos que nossa vida é muito monótona, uma mesmice onde nada acontece. A mesma mobília da casa, o mesmo trajeto pro trabalho, as mesmas companhias. Tudo igual todo dia sempre. Acontece que o cardápio da vida é o mesmo para todos. Por mais estranho que pareça, os milionários também se entediam, ficam cansados da rotina. É verdade. Embora viajem todos os fins de semana para a Europa, troquem de carro uma vez por mês etc. Se badalação fosse sinônimo de felicidade todos os pobres do mundo seriam infelizes. E, às vezes, vemos justamente o contrário. Pessoas que mal têm o que comer e vivem em condições precárias conseguem sorrir, celebrar a vida nessa precariedade que as rodeia. Não que isso seja uma forma de alienação. Pelo contrário. Talvez, por conhecerem o lado mais ácido da vida, certamente buscam no minimalismo, na simplicidade de que dispõem razões para continuar a acreditar na possibilidade da beleza do dia de hoje.
Graças a Deus, os sentimentos nos são dados na gratuidade. Não precisamos comprar alegria, esperança, fé. Precisamos, sim, por vezes, ajudados por quem nos ama, resgatar cada um deles dentro de nós. Vive melhor quem se interessa por treinar o paladar para sentir sabor na simplicidade. O que para muitos pode parecer piada é fórmula de sucesso para se alcançar qualidade de vida. É ter prazer em preparar uma refeição, em acordar para começar um novo dia, em desfrutar da companhia dos queridos. É redescobrir os significados das pequenas coisas. Em tempos tão modernizados, pode ser necessário que nossos netos tenham que aprender nos sites de busca sobre o que nossas avós sabiam de cor: que o desafio é aprender a sacralizar o cotidiano. ●
Escuto frases do tipo: “não agüento mais meu emprego”, “minha vida é muito sem graça” etc. Diz o ditado que vida boa é a do vizinho. Às vezes, pensamos que nossa vida é muito monótona, uma mesmice onde nada acontece. A mesma mobília da casa, o mesmo trajeto pro trabalho, as mesmas companhias. Tudo igual todo dia sempre. Acontece que o cardápio da vida é o mesmo para todos. Por mais estranho que pareça, os milionários também se entediam, ficam cansados da rotina. É verdade. Embora viajem todos os fins de semana para a Europa, troquem de carro uma vez por mês etc. Se badalação fosse sinônimo de felicidade todos os pobres do mundo seriam infelizes. E, às vezes, vemos justamente o contrário. Pessoas que mal têm o que comer e vivem em condições precárias conseguem sorrir, celebrar a vida nessa precariedade que as rodeia. Não que isso seja uma forma de alienação. Pelo contrário. Talvez, por conhecerem o lado mais ácido da vida, certamente buscam no minimalismo, na simplicidade de que dispõem razões para continuar a acreditar na possibilidade da beleza do dia de hoje.
Graças a Deus, os sentimentos nos são dados na gratuidade. Não precisamos comprar alegria, esperança, fé. Precisamos, sim, por vezes, ajudados por quem nos ama, resgatar cada um deles dentro de nós. Vive melhor quem se interessa por treinar o paladar para sentir sabor na simplicidade. O que para muitos pode parecer piada é fórmula de sucesso para se alcançar qualidade de vida. É ter prazer em preparar uma refeição, em acordar para começar um novo dia, em desfrutar da companhia dos queridos. É redescobrir os significados das pequenas coisas. Em tempos tão modernizados, pode ser necessário que nossos netos tenham que aprender nos sites de busca sobre o que nossas avós sabiam de cor: que o desafio é aprender a sacralizar o cotidiano. ●
3 de agosto de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"Há momentos em que é essencial estar só. A razão e a emoção precisam conversar. Só assim as escolhas serão autênticas." Gabriel Chalita
1 de agosto de 2009
28 de julho de 2009
O TERMÔMETRO DO AMOR
Muito se fala sobre o amor. O mais nobre e desafiador dos sentimentos. Aquele que começa ainda no ventre materno e, do qual depois, já mais crescidinhos, começamos a experimentar na própria carne seus significados. Do primeiro amor, das juras de amor eterno, da doçura dos amigos, do aconchego da família.
Falar de amor é fácil. Ou melhor, falar do falso amor é fácil, porque quando quisermos falar de amor verdadeiro a coisa começa complicar. Ao contrário do que muitos pensam, o termômetro do amor não é o ciúme, e, sim, o cuidado. Lembro daquela música que fez muito sucesso na voz de Caetano Veloso e diz: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Fala que me ama, só que é da boca pra fora”. É mentiroso dizer que se ama de longe, na ausência. Não que todos que se amem precisem estar geograficamente próximos uns dos outros. A vida tende a separar as pessoas. São projetos pessoais que nos levam para lados opostos. Mas o encurtamento das distâncias ficou muito facilitado com a Internet, por exemplo. Podemos estar presentes sem necessariamente estarmos ao lado. Daí ficar mais insustentável ainda a enganosa prática do “amor da boca para fora”.
Como há amor se não há cuidado? Não há amor se não há cumplicidade de almas. Que ama, quer estar junto. Não por formalidade, cobrança, obrigação. Quem ama, fica feliz na felicidade do outro e chora no choro do outro. Quem ama, celebra os novos projetos e ajuda a enterrar aqueles que chegaram ao fim. Dizer que ama sem se fazer presente é enganar a si mesmo e com um pouco de sorte se iludir achando que engana ao outro. O amor não tem fingimentos. Fingir é uma atitude covarde de quem precisa se justificar pelo peso da própria consciência. Amor é sentimento nobre, tem boa reputação. Ele é alimentado com a verdade e a coerência, e gerador de frutos de confiança.
Pense duas vezes antes de sair propagando ao vento suas palavras de amor. Pode ser que esse mesmo vento sopre nos ouvidos machucados de quem já experimentou falsos amores. Tomara que o amor que saia nas palavras da nossa boca seja sempre verdadeiro, para que o ruído do vento que as leve soe como música suave aos ouvidos daqueles que nos ouçam. Como diz a Sagrada Escritura: “Não amemos de palavra, nem de língua. Mas de fato e de verdade.” ●
Falar de amor é fácil. Ou melhor, falar do falso amor é fácil, porque quando quisermos falar de amor verdadeiro a coisa começa complicar. Ao contrário do que muitos pensam, o termômetro do amor não é o ciúme, e, sim, o cuidado. Lembro daquela música que fez muito sucesso na voz de Caetano Veloso e diz: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Fala que me ama, só que é da boca pra fora”. É mentiroso dizer que se ama de longe, na ausência. Não que todos que se amem precisem estar geograficamente próximos uns dos outros. A vida tende a separar as pessoas. São projetos pessoais que nos levam para lados opostos. Mas o encurtamento das distâncias ficou muito facilitado com a Internet, por exemplo. Podemos estar presentes sem necessariamente estarmos ao lado. Daí ficar mais insustentável ainda a enganosa prática do “amor da boca para fora”.
Como há amor se não há cuidado? Não há amor se não há cumplicidade de almas. Que ama, quer estar junto. Não por formalidade, cobrança, obrigação. Quem ama, fica feliz na felicidade do outro e chora no choro do outro. Quem ama, celebra os novos projetos e ajuda a enterrar aqueles que chegaram ao fim. Dizer que ama sem se fazer presente é enganar a si mesmo e com um pouco de sorte se iludir achando que engana ao outro. O amor não tem fingimentos. Fingir é uma atitude covarde de quem precisa se justificar pelo peso da própria consciência. Amor é sentimento nobre, tem boa reputação. Ele é alimentado com a verdade e a coerência, e gerador de frutos de confiança.
Pense duas vezes antes de sair propagando ao vento suas palavras de amor. Pode ser que esse mesmo vento sopre nos ouvidos machucados de quem já experimentou falsos amores. Tomara que o amor que saia nas palavras da nossa boca seja sempre verdadeiro, para que o ruído do vento que as leve soe como música suave aos ouvidos daqueles que nos ouçam. Como diz a Sagrada Escritura: “Não amemos de palavra, nem de língua. Mas de fato e de verdade.” ●
20 de julho de 2009
DIA DO AMIGO
Poucas palavras para falar de algo fundamental no saudável convívio humano: a amizade. A verdadeira. Poucas palavras para não ser desnecessária, supérflua, redundante. Para não banalizar, não tirar a sacralidade do significado da palavra “amigo”.
Um amigo verdadeiro não conhecemos no discurso. O verdadeiro amigo está presente na vida, caminhando ao lado, não apenas nas palavras presas num e-mail, guardadas num cartão no fundo da gaveta. Amigo de verdade surpreende. Na madrugada da dor, na preparação da festa. Amigo de verdade não cansa, não desiste, não ignora, não esquece. Se traído pela precariedade do caráter meramente humano, volta, refaz. Não porque tem medo da cobrança do outro, mas, sim pela cobrança do próprio coração, pelo corar do próprio rosto.
Que a graça da amizade verdadeira seja derramada sobre todos aqueles que buscam ser verdadeiros uns com os outros. Que haja apreço sem interesse, vontade de estar junto com pureza e inteireza de coração. Que a profecia bíblica de que o amor esfriará de quase todos os corações nos fins dos tempos não se cumpra por nós. Poucas palavras para falar de um sentimento tão sagrado. Reverência. Silêncio diante da responsabilidade de entrar no universo do outro. Amém. ●
Um amigo verdadeiro não conhecemos no discurso. O verdadeiro amigo está presente na vida, caminhando ao lado, não apenas nas palavras presas num e-mail, guardadas num cartão no fundo da gaveta. Amigo de verdade surpreende. Na madrugada da dor, na preparação da festa. Amigo de verdade não cansa, não desiste, não ignora, não esquece. Se traído pela precariedade do caráter meramente humano, volta, refaz. Não porque tem medo da cobrança do outro, mas, sim pela cobrança do próprio coração, pelo corar do próprio rosto.
Que a graça da amizade verdadeira seja derramada sobre todos aqueles que buscam ser verdadeiros uns com os outros. Que haja apreço sem interesse, vontade de estar junto com pureza e inteireza de coração. Que a profecia bíblica de que o amor esfriará de quase todos os corações nos fins dos tempos não se cumpra por nós. Poucas palavras para falar de um sentimento tão sagrado. Reverência. Silêncio diante da responsabilidade de entrar no universo do outro. Amém. ●
18 de julho de 2009
14 de julho de 2009
EM PAZ COM O CALENDÁRIO
Começar uma dieta na próxima segunda-feira, iniciar a prática de uma atividade física por recomendação médica, voltar a estudar. Eis uma pequena lista das promessas que costumamos fazer a cada fim de ano. Segundo uma pesquisa britânica, apenas 10% das pessoas observadas por um ano conseguiram alcançar a meta proposta, ou seja, cumprir a promessa feita. Esse percentual tão baixo parece desanimador. Se todos tinham um objetivo a alcançar, por que apenas uma minoria conseguiu vencer o desafio? Ouso responder a essa pergunta a partir de dois pilares: persistência e paciência.
No começo, tudo é fácil. A empolgação da novidade, o desejo do resultado e a motivação são impulsores. E a necessidade da continuidade diária? O desafio é permanecer firme no propósito, naquele dia em que bate a preguiça, o desânimo, a vontade de desistir. Outro grande problema a ser resolvido é o controle da ansiedade. A urgência em perder dez quilos acumulados ao longo de dez anos, de ter fôlego de maratonista sem subir escada há meses, de concluir uma graduação ainda sendo calouro. Resultados não aparecem do dia pra noite. Por isso, é tão importante saber acompanhar as etapas do processo para ter fôlego e seguir em frente.
A forma mais segura de conseguirmos nos incluir nos 10% da referida pesquisa é viver um dia por vez. O passo de hoje é fundamental para continuar o processo e servir de estímulo para o passo de amanhã. Uma meta alcançada nos alimenta a alma. É uma vitória que levamos pra vida toda e serve de base para acreditarmos no nosso potencial de planejar e alcançar tudo o que um dia não nos passou de sonho. Agora é uma boa época para avaliarmos nossas promessas para 2009. Estamos no meio do ano, portanto no meio do ciclo. Que bom, se estamos conseguindo caminhar e encaminhar. Mas se paramos na metade do caminho, é hora de prosseguir com os olhos postos em dezembro... Para acabar com essa idéia de que promessa de fim de ano é feita justamente para não sair do papel. ●
No começo, tudo é fácil. A empolgação da novidade, o desejo do resultado e a motivação são impulsores. E a necessidade da continuidade diária? O desafio é permanecer firme no propósito, naquele dia em que bate a preguiça, o desânimo, a vontade de desistir. Outro grande problema a ser resolvido é o controle da ansiedade. A urgência em perder dez quilos acumulados ao longo de dez anos, de ter fôlego de maratonista sem subir escada há meses, de concluir uma graduação ainda sendo calouro. Resultados não aparecem do dia pra noite. Por isso, é tão importante saber acompanhar as etapas do processo para ter fôlego e seguir em frente.
A forma mais segura de conseguirmos nos incluir nos 10% da referida pesquisa é viver um dia por vez. O passo de hoje é fundamental para continuar o processo e servir de estímulo para o passo de amanhã. Uma meta alcançada nos alimenta a alma. É uma vitória que levamos pra vida toda e serve de base para acreditarmos no nosso potencial de planejar e alcançar tudo o que um dia não nos passou de sonho. Agora é uma boa época para avaliarmos nossas promessas para 2009. Estamos no meio do ano, portanto no meio do ciclo. Que bom, se estamos conseguindo caminhar e encaminhar. Mas se paramos na metade do caminho, é hora de prosseguir com os olhos postos em dezembro... Para acabar com essa idéia de que promessa de fim de ano é feita justamente para não sair do papel. ●
12 de julho de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade." (Rui Barbosa)
11 de julho de 2009
7 de julho de 2009
MICHAEL JACKSON: A SAGA DO HERÓI DE VIDRO
As luzes do palco vão ficar apagadas. O piso não vai mais sentir os deslizes, os rodopios, a evolução dos pés do fenômeno pop que foi Michael Jackson. Morte prematura, repentina. Pegou a todos de surpresa, inclusive, quem sabe até o próprio astro. Muitas especulações, muitas perguntas sem respostas. O fato é que chegou ao fim toda a trajetória de uma criança pobre, rica de talento na voz e nos pés, que cresceu por fora e parece que não conseguiu crescer por dentro.
A grandeza da imagem do ídolo contrastava com a essência frágil. Michael não era de aço. Ele era de vidro. O vidro é transparente, mostra o que tem por dentro: um coração desejoso de ajudar os que não chegaram aonde ele chegou. O vidro tem uma solidez aparente, uma concretude enganosa. O vidro é frágil. Ele quebra. Quando exposto a altas temperaturas, o vidro se rompe. Rompeu pelas marcas da infância, dos escândalos ao longo da carreira, dos flashes. Como Michael administrou tudo isso? Procurou dividir o fardo que carregou sobre os ombros? Contou com Deus, a família, os amigos, um bom terapeuta? Ou teria se fechado em si?
Foram muito longe na dureza dos julgamentos. Daí me aparece uma fala do próprio Michael Jackson dizendo que aprendeu a amar as crianças com Jesus Cristo... Quantas acusações. Quanta sede de fabricar escândalos. Os diabólicos de plantão choram a orfandade. Não poderão mais arranhar a imagem do Peter Pan do pop que pagou um preço muito alto por escolher viver como viveu: sonhador. É triste. Um astro que não cabia mais na embalagem de menino. Não cabia nos sonhos, nos medos, na atenção sincera que dão aos meninos. Precisava transcender. E o fez da forma que conseguiu. Celebremos o fenômeno que cresceu, sim, os olhares do mundo sobre a genialidade dos seus pés. ●
A grandeza da imagem do ídolo contrastava com a essência frágil. Michael não era de aço. Ele era de vidro. O vidro é transparente, mostra o que tem por dentro: um coração desejoso de ajudar os que não chegaram aonde ele chegou. O vidro tem uma solidez aparente, uma concretude enganosa. O vidro é frágil. Ele quebra. Quando exposto a altas temperaturas, o vidro se rompe. Rompeu pelas marcas da infância, dos escândalos ao longo da carreira, dos flashes. Como Michael administrou tudo isso? Procurou dividir o fardo que carregou sobre os ombros? Contou com Deus, a família, os amigos, um bom terapeuta? Ou teria se fechado em si?
Foram muito longe na dureza dos julgamentos. Daí me aparece uma fala do próprio Michael Jackson dizendo que aprendeu a amar as crianças com Jesus Cristo... Quantas acusações. Quanta sede de fabricar escândalos. Os diabólicos de plantão choram a orfandade. Não poderão mais arranhar a imagem do Peter Pan do pop que pagou um preço muito alto por escolher viver como viveu: sonhador. É triste. Um astro que não cabia mais na embalagem de menino. Não cabia nos sonhos, nos medos, na atenção sincera que dão aos meninos. Precisava transcender. E o fez da forma que conseguiu. Celebremos o fenômeno que cresceu, sim, os olhares do mundo sobre a genialidade dos seus pés. ●
5 de julho de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"A natureza faz poucas pessoas fortes, mas esforço e treinamento fazem muitas." (Maquiavel)
4 de julho de 2009
ENXERGAR ALÉM DA SAUDADE
Recebi um e-mail que mexeu comigo. Trata-se de uma mensagem sobre a saudade que vamos sentir ao longo da vida. Dos fatos e pessoas que vão passando pela nossa história. Em suma, da vida que já vivemos. É muito saudável termos essa certeza em mente: tudo e todos passam. O tempo passa e não volta. As pessoas passam e podem voltar um dia. Ou não.
Quando li o texto, fui remetida a uma experiência bastante recente que vivi da separação de uma pessoa querida. Fui pega de surpresa com a notícia, senti o chão abrir. A melhor e a pior coisa são quando depositamos muita confiança, muita expectativa no outro. É a melhor, porque essa falsa segurança nos tranqüiliza. É a pior, porque nos acomoda com a nossa capacidade própria de realização.
O processo da separação é uma experiência rica de crescimento pessoal, quando iluminada. Quando ficamos cara a cara com nós mesmos, nos vemos obrigados a nos fazer a melhor companhia para enxergar a luz que sempre brilha no final do túnel. Fica, sim, a tradução sensorial da palavra “saudade”. A lembrança, a vontade de estar perto, o sabor do que foi vivido. Dessa experiência que falei, de viver a separação por distância, a lição que tirei é que pior que a saudade em si pode ser o medo de sentir saudade. Aquele sentimento pós-choque que nos faz pensar que não vamos nos recuperar do baque. Acredito que um grande desafio a ser vencido pelo ser humano é tentar racionalizar a vida. Não é viver friamente, alheio aos sentimentos. Não é isso. Mas aprendermos que os sentimentos às vezes nos enganam. Precisamos conseguir dialogar com a razão, para nos poupar de alguns sofrimentos desnecessários. É preciso enxergar além da saudade. É aquela hora de pôr os pés no chão, olhar ao redor e perceber que a vida sempre continua. Reinventada, quando preciso. ●
Quando li o texto, fui remetida a uma experiência bastante recente que vivi da separação de uma pessoa querida. Fui pega de surpresa com a notícia, senti o chão abrir. A melhor e a pior coisa são quando depositamos muita confiança, muita expectativa no outro. É a melhor, porque essa falsa segurança nos tranqüiliza. É a pior, porque nos acomoda com a nossa capacidade própria de realização.
O processo da separação é uma experiência rica de crescimento pessoal, quando iluminada. Quando ficamos cara a cara com nós mesmos, nos vemos obrigados a nos fazer a melhor companhia para enxergar a luz que sempre brilha no final do túnel. Fica, sim, a tradução sensorial da palavra “saudade”. A lembrança, a vontade de estar perto, o sabor do que foi vivido. Dessa experiência que falei, de viver a separação por distância, a lição que tirei é que pior que a saudade em si pode ser o medo de sentir saudade. Aquele sentimento pós-choque que nos faz pensar que não vamos nos recuperar do baque. Acredito que um grande desafio a ser vencido pelo ser humano é tentar racionalizar a vida. Não é viver friamente, alheio aos sentimentos. Não é isso. Mas aprendermos que os sentimentos às vezes nos enganam. Precisamos conseguir dialogar com a razão, para nos poupar de alguns sofrimentos desnecessários. É preciso enxergar além da saudade. É aquela hora de pôr os pés no chão, olhar ao redor e perceber que a vida sempre continua. Reinventada, quando preciso. ●
30 de junho de 2009
É MELHOR JOGAR NA DEFESA
Dia desses, assistindo a um programa de TV, comecei a pensar um pouco sobre a difícil arte da convivência. Temos nosso ponto de vista, que se aproxima ou distancia do ponto de vista dos outros. Isso é exercício de liberdade de expressão, saudável para o emaranhado da teia social. Como soa estranho quando nos deparamos com tentativas de manipulação, em vez de exercício de liberdade. É como se eu quisesse que o outro passasse a concordar comigo, com meu pensamento. E nessa tentativa, começasse a invadir o espaço incomum. É avançar o limite, sem a permissão do outro.
Fiquei bastante incomodada. O entrevistador entrava de garras afiadas nas vísceras da presa. Não eram perguntas, nem curiosidades. Eram afrontas, sim. Beirava o ridículo. Eu me perguntava se o entrevistado deveria defender veementemente o ponto de vista dele ou se deveria ter se escusado daquele momento desnecessário de constrangimento. Cheguei à conclusão de que não. O entrevistado respondera à luz dos princípios nos quais acredita e, em momento algum, perdera a calma frente a tantos questionamentos impertinentes.
Se o apresentador tiver um rompante de lucidez, perceberá que perdeu a oportunidade de se enriquecer na experiência do convívio com o entrevistado. Daquele momento único. Ao fim, me fortaleceu a máxima de que devemos ser quem somos independentemente de onde e na companhia de quem estivermos. Os que nos amam, não nos afrontam. Os que não nos amam e nos afrontam, ainda assim merecem nosso respeito. Certamente, a maior punição para quem afronta é não conseguir corromper o coração de quem foi afrontado. ●
Fiquei bastante incomodada. O entrevistador entrava de garras afiadas nas vísceras da presa. Não eram perguntas, nem curiosidades. Eram afrontas, sim. Beirava o ridículo. Eu me perguntava se o entrevistado deveria defender veementemente o ponto de vista dele ou se deveria ter se escusado daquele momento desnecessário de constrangimento. Cheguei à conclusão de que não. O entrevistado respondera à luz dos princípios nos quais acredita e, em momento algum, perdera a calma frente a tantos questionamentos impertinentes.
Se o apresentador tiver um rompante de lucidez, perceberá que perdeu a oportunidade de se enriquecer na experiência do convívio com o entrevistado. Daquele momento único. Ao fim, me fortaleceu a máxima de que devemos ser quem somos independentemente de onde e na companhia de quem estivermos. Os que nos amam, não nos afrontam. Os que não nos amam e nos afrontam, ainda assim merecem nosso respeito. Certamente, a maior punição para quem afronta é não conseguir corromper o coração de quem foi afrontado. ●
28 de junho de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"A nossa maior fraqueza é a desistência. A maneira mais segura de termos sucesso é tentar sempre mais uma vez." (Thomas Edison)
27 de junho de 2009
26 de junho de 2009
O SEGREDO DO SUCESSO
Vi uma reportagem que me fez continuar acreditando na essência do bem que habita no ser humano. Era a história de alguém que decidiu sonhar a vida e viver esse sonho. Falava da alma nobre de um homem que escolheu, há cinco anos, trabalhar com o fabrico e a restauração de instrumentos musicais, sem condições favoráveis para tanto. Ele busca nos entulhos a matéria-prima para transcender as adversidades. E ali, em meio a tantos pedaços de madeira bruta, o sentido da vida é talhado. Quem lhe compra um violão, pode nem imaginar quais acordes já foram tocados na fabricação daquele instrumento. Acordes de esperança, de fé, de coragem. Tudo isso ficou evidente quando aquele homem simples, ambientado numa realidade igualmente simples, se emocionou ao falar do próprio ofício, do desafio de acreditar no sonho de estar tão próximo da música e viver disso.
Muita gente procura fórmulas mágicas para alcançar o sucesso, tornar-se rico, famoso, e só assim ser feliz. A realidade é que poucos se destacam no meio da multidão. Por que isso acontece? Não sei. Mas aprendi um pouco mais com aquele homem humilde, que descobriu na dureza da vida o segredo do sucesso. Mais que uma gorda conta bancária, certamente o sucesso pessoal é mensurado pela paz que se tem no coração. Recolher restos de madeira no lixo, trazer para casa, construir engenhosamente instrumentos musicais e vendê-los sem isso ser altamente lucrativo. Para quê? Para continuar embalando a música que alimenta a alma dele. O som das batidas de um coração que pulsa a simplicidade na vida. ●
Muita gente procura fórmulas mágicas para alcançar o sucesso, tornar-se rico, famoso, e só assim ser feliz. A realidade é que poucos se destacam no meio da multidão. Por que isso acontece? Não sei. Mas aprendi um pouco mais com aquele homem humilde, que descobriu na dureza da vida o segredo do sucesso. Mais que uma gorda conta bancária, certamente o sucesso pessoal é mensurado pela paz que se tem no coração. Recolher restos de madeira no lixo, trazer para casa, construir engenhosamente instrumentos musicais e vendê-los sem isso ser altamente lucrativo. Para quê? Para continuar embalando a música que alimenta a alma dele. O som das batidas de um coração que pulsa a simplicidade na vida. ●
24 de junho de 2009
MAIS QUE CANJICA E BOLO DE FUBÁ
Fogueira, bandeirolas e quadrilha. Pau-de-sebo, correio elegante e prendas. Nesse mês de junho, o nordeste brasileiro pára. Embaladas ao som da sanfona, as cidades de Caruaru e Campina Grande disputam o título de ser “a capital do são-joão”. A grande movimentação dos turistas e o vai-e-vem nos hotéis e pousadas geram milhares de empregos temporários, esquentam a economia e divertem o povo. Para a população local, é muito rica a experiência de apresentar sua cultura para o Brasil e o mundo.
Muita festança, muita alegria, muita comilança. São barracas e mais barracas fartas de deliciosas comidas típicas. Mas, muito mais que pé-de-moleque, canjica e bolo de fubá, o 24 de junho celebra o nascimento de João Batista. Batista, porque foi chamado por Deus para batizar homens e mulheres para uma vida nova. João fora escolhido para anunciar a vinda de Jesus Cristo e assim preparar o caminho para a chegada do Messias. Levava a pregação do arrependimento dos pecados, da conversão e espera vindoura pelo reino dos céus – a ser instituído por Jesus, a quem também batizou.
Que esse arrependimento pregado pelo profeta João possa permanecer no nosso coração. É preciso nos arrependermos cada vez que o mundo ficar pior por nossa culpa. Quando formos preguiçosos no trabalho, impacientes no trânsito, mal-educados na fila do banco, irritados com os que estão num ritmo diferente do nosso. Entendamos que os grandes desastres da humanidade começam com pequenos erros que cometemos no dia-a-dia. Que cometemos e não voltamos atrás para tentar consertar... ●
Muita festança, muita alegria, muita comilança. São barracas e mais barracas fartas de deliciosas comidas típicas. Mas, muito mais que pé-de-moleque, canjica e bolo de fubá, o 24 de junho celebra o nascimento de João Batista. Batista, porque foi chamado por Deus para batizar homens e mulheres para uma vida nova. João fora escolhido para anunciar a vinda de Jesus Cristo e assim preparar o caminho para a chegada do Messias. Levava a pregação do arrependimento dos pecados, da conversão e espera vindoura pelo reino dos céus – a ser instituído por Jesus, a quem também batizou.
Que esse arrependimento pregado pelo profeta João possa permanecer no nosso coração. É preciso nos arrependermos cada vez que o mundo ficar pior por nossa culpa. Quando formos preguiçosos no trabalho, impacientes no trânsito, mal-educados na fila do banco, irritados com os que estão num ritmo diferente do nosso. Entendamos que os grandes desastres da humanidade começam com pequenos erros que cometemos no dia-a-dia. Que cometemos e não voltamos atrás para tentar consertar... ●
22 de junho de 2009
INVERNO: ESTAÇÃO DE AQUECER A ALMA
Diz o calendário que começou a estação do inverno. Dias de frio, de sequidão. Roupas pesadas, semblantes igualmente pesados pelo desafio de levantar cedo em temperaturas tão baixas. Cores sóbrias ao redor, pouca conversa na rua para não congelar a língua, nem trincar os dentes. Para muitos, dias longos que passam devagar, uma falta de brilho que insiste em ofuscar a beleza da vida.
Será que é só isso? Ou podemos nos encorajar a olhar com outros olhos? É mais trabalhoso, porém mais bonito, ver o inverno além da neblina, da secura que se sustenta no ar. Que tal, enxergarmos o orvalho logo cedo pela manhã. Transformar em rituais os simples atos de tomar uma caneca de chá antes de ir pra cama ou um chocolate quente na companhia dos queridos. Inverno é, sim, tempo de aconchego. Inverno é bom pra reunir. Reunir a família, os amigos em torno da lareira. Me atrevo a ir mais além nessa idéia de reunir, aconchegar, que o inverno traz. Nesses tempos de quietude na cidade, quando buscamos nos esconder em casa dos sopros ruidosos do vento frio, é estação de reflexão. É bom gastar tempo para chegar junto dos nossos pensamentos. Embalar cada um dos nossos sonhos. Vamos aquecer a alma com esperanças renovadas.
Nesses dias frios, se abrigue. E mais que isso, ofereça abrigo também. Vamos aquecer o coração com palavras que façam bem. Que as sombras do inverno sejam dissipadas pela luz do nosso olhar. Que esse olhar possa acalentar o frio dos corações necessitados de calor humano, de uma lareira espiritual que lhes possa aquecer a alma. ●
Será que é só isso? Ou podemos nos encorajar a olhar com outros olhos? É mais trabalhoso, porém mais bonito, ver o inverno além da neblina, da secura que se sustenta no ar. Que tal, enxergarmos o orvalho logo cedo pela manhã. Transformar em rituais os simples atos de tomar uma caneca de chá antes de ir pra cama ou um chocolate quente na companhia dos queridos. Inverno é, sim, tempo de aconchego. Inverno é bom pra reunir. Reunir a família, os amigos em torno da lareira. Me atrevo a ir mais além nessa idéia de reunir, aconchegar, que o inverno traz. Nesses tempos de quietude na cidade, quando buscamos nos esconder em casa dos sopros ruidosos do vento frio, é estação de reflexão. É bom gastar tempo para chegar junto dos nossos pensamentos. Embalar cada um dos nossos sonhos. Vamos aquecer a alma com esperanças renovadas.
Nesses dias frios, se abrigue. E mais que isso, ofereça abrigo também. Vamos aquecer o coração com palavras que façam bem. Que as sombras do inverno sejam dissipadas pela luz do nosso olhar. Que esse olhar possa acalentar o frio dos corações necessitados de calor humano, de uma lareira espiritual que lhes possa aquecer a alma. ●
20 de junho de 2009
19 de junho de 2009
SEMPRE É TEMPO
Domingo passado foi aniversário do meu pai. Tenho tirado muito proveito desse convívio dia a dia e aprendido lições que só a escola da vida podem ensinar. A velhice do meu pai tem me ensinado que as relações humanas se transformam com o passar do tempo. Raras exceções, nesse mundo materializado onde vivemos, as pessoas são incluídas na sociedade enquanto têm o que oferecer e não simplesmente pelo que de fato são.
Acho muito curiosa essa mentalidade de se ignorar os velhos. Como se quem é velho hoje, não fora jovem um dia. Ou quem hoje é jovem nunca acordará idoso. Meu pai foi uma pessoa bastante ativa. Gostava muito (leia-se no extremo máximo essa palavra) de sair de casa, fazer compras, passear. Tinha boa relação com os vizinhos, conhecia todo mundo pelo nome e fazia questão de cumprimentar de perto um a um. Percebo a ausência daqueles que pareciam presentes. Uns nos perguntam por ele, quando nos encontram na rua; outros se desculpam por ainda não terem tido tempo de lhe fazer uma visita; e ainda outros há que fingem que não mais nos conhecem, escondendo o rosto como se devessem algo e temessem a cobrança...
Graças a Deus meu pai tem o privilégio de ser amado nas suas limitações dentro do próprio lar. Quis escrever sobre isso para deixar aberta essa reflexão. Pode ser que estejamos negligenciando a lentidão dos passos, a demora no raciocínio, o “excesso” de histórias dos idosos que nos cercam. Sempre é tempo para celebrar. Parabéns, seu Adalberto! Por mais um ano de vida e pela escolha diária de viver corajosamente os desafios que se apresentam. Por viver alegremente cada novo dia que Deus dá a você. Estamos juntos.
Em tempo, celebrações benditas também pra mamãe, que também “aniversariou” esse mês.●
Acho muito curiosa essa mentalidade de se ignorar os velhos. Como se quem é velho hoje, não fora jovem um dia. Ou quem hoje é jovem nunca acordará idoso. Meu pai foi uma pessoa bastante ativa. Gostava muito (leia-se no extremo máximo essa palavra) de sair de casa, fazer compras, passear. Tinha boa relação com os vizinhos, conhecia todo mundo pelo nome e fazia questão de cumprimentar de perto um a um. Percebo a ausência daqueles que pareciam presentes. Uns nos perguntam por ele, quando nos encontram na rua; outros se desculpam por ainda não terem tido tempo de lhe fazer uma visita; e ainda outros há que fingem que não mais nos conhecem, escondendo o rosto como se devessem algo e temessem a cobrança...
Graças a Deus meu pai tem o privilégio de ser amado nas suas limitações dentro do próprio lar. Quis escrever sobre isso para deixar aberta essa reflexão. Pode ser que estejamos negligenciando a lentidão dos passos, a demora no raciocínio, o “excesso” de histórias dos idosos que nos cercam. Sempre é tempo para celebrar. Parabéns, seu Adalberto! Por mais um ano de vida e pela escolha diária de viver corajosamente os desafios que se apresentam. Por viver alegremente cada novo dia que Deus dá a você. Estamos juntos.
Em tempo, celebrações benditas também pra mamãe, que também “aniversariou” esse mês.●
17 de junho de 2009
VC, TC E AFINS
“Chega mais perto e contempla as palavras...” É o convite de Drummond àqueles que se dispõem a poetizar a vida. Escolher sem pressa as palavras, fonte de conhecimento, ponte para o amor, a compreensão do outro.
Infelizmente, somos treinados pelos dias apressados a cada vez menos escolher palavras. As palavras a serem ditas são abreviadas nos nossos fast-vocabulários do dia-a-dia. É tudo muito sintetizado, embora nem sempre tão esclarecedor. Nós “tc” com todo o mundo, mandamos “bj” aos amigos e por aí vai. Um engano para quem pensa que isso agiliza o cotidiano, poupa tempo. E para que é o tempo, se não para fazermos elo com os semelhantes de espécie dita tão evoluída?
Perdeu-se o encanto pela palavra. Palavra bem dita, bem escrita, cumprindo a nobre função de comunicar. Diz-se se qualquer jeito e escreve-se pior ainda. A nobreza foi relegada àqueles que não se entregaram completamente aos reducionismos do mundo cibernético. Fica difícil até estabelecer comunicação com os adeptos dos códigos e abreviaturas disseminadas nas linguagens relâmpago do bate-papo virtual.
Às vezes, fico curiosa para saber a quantas andam as aulas de literatura, obrigatórias nos currículos escolares. Quando fui estudante, confesso que era tarefa maçante entender tantos autores, movimentos literários e características tão distintas que se apresentavam estranhamente diante dos meus olhos. Imagine o desafio dos educadores de hoje, tentando prender a atenção de leitores tão acostumados à economia de palavras, a textos curtos - sintéticos de informação e ausentes de poesia.
Não deixemos morrer a beleza dos pensamentos que demoram dentro de nós, da boa prosa com o vizinho, das histórias da vovó. Não é piegas, é resgate. É adentrar o reino das palavras, dialogar, contemplar sem medo de gastar tempo para isso. Senão, daqui a pouco, vamos t em vez de tc, digo teclar, pra não perder tanto tempo. ●
Infelizmente, somos treinados pelos dias apressados a cada vez menos escolher palavras. As palavras a serem ditas são abreviadas nos nossos fast-vocabulários do dia-a-dia. É tudo muito sintetizado, embora nem sempre tão esclarecedor. Nós “tc” com todo o mundo, mandamos “bj” aos amigos e por aí vai. Um engano para quem pensa que isso agiliza o cotidiano, poupa tempo. E para que é o tempo, se não para fazermos elo com os semelhantes de espécie dita tão evoluída?
Perdeu-se o encanto pela palavra. Palavra bem dita, bem escrita, cumprindo a nobre função de comunicar. Diz-se se qualquer jeito e escreve-se pior ainda. A nobreza foi relegada àqueles que não se entregaram completamente aos reducionismos do mundo cibernético. Fica difícil até estabelecer comunicação com os adeptos dos códigos e abreviaturas disseminadas nas linguagens relâmpago do bate-papo virtual.
Às vezes, fico curiosa para saber a quantas andam as aulas de literatura, obrigatórias nos currículos escolares. Quando fui estudante, confesso que era tarefa maçante entender tantos autores, movimentos literários e características tão distintas que se apresentavam estranhamente diante dos meus olhos. Imagine o desafio dos educadores de hoje, tentando prender a atenção de leitores tão acostumados à economia de palavras, a textos curtos - sintéticos de informação e ausentes de poesia.
Não deixemos morrer a beleza dos pensamentos que demoram dentro de nós, da boa prosa com o vizinho, das histórias da vovó. Não é piegas, é resgate. É adentrar o reino das palavras, dialogar, contemplar sem medo de gastar tempo para isso. Senão, daqui a pouco, vamos t em vez de tc, digo teclar, pra não perder tanto tempo. ●
O PRIMEIRO PASSO
Dar o primeiro passo sempre é a ação mais desafiadora de toda a jornada. Das pedras do caminho, vamos aprendendo a desviar. Ao vento que sopra contrário, vamos aprendendo a resistir... Então, o maior obstáculo a ser vencido é ter ânimo de pôr o pé na estrada para seguir passo a passo.
Vejo nessa metáfora uma comparação com o desafio de escrever um blog. Sei que esse instrumento de comunicação universal é tão popular para muitos como fora a grande invenção de Graham Bell. Mas, para mim, essa idéia começou a me inquietar a partir de duas experiências distintas. Num primeiro momento, o desejo de fazer parte desse mundo dos blogs veio da leitura de cartas. Parece estranho. Começar um blog instigada por cartas... Se bem que sou da geração das cartas. Dos tempos em que se visitava a caixinha dos Correios diariamente à espera das notícias dos queridos. Há poucos dias, terminei a leitura do livro Cartas entre Amigos, recém-lançado a quatro mãos, por dois jovens autores da minha geração. Gabriel Chalita e padre Fábio de Melo resolveram resgatar o hábito de se comunicar por cartas, portadoras de reflexões sobre medos que nos assediam na atualidade. E essa troca de impressões e experiências me emprestou voz para falar um pouco sobre as minhas também. Paralelamente a isso, comecei a comentar no blog de uma amiga e percebi essa movimentação de idéias procurava um espaço maior onde pudesse me expressar.
Assim, me encorajei a pôr o pé na estrada. Vou levar uma bagagem leve, que não me atrapalhe a caminhada e me permita dialogar ao longo do percurso. Se quiser me acompanhar, seja bem-vindo. Que seja uma experiência enriquecedora, que haja pensamentos e palavras que façam bem. ●
Vejo nessa metáfora uma comparação com o desafio de escrever um blog. Sei que esse instrumento de comunicação universal é tão popular para muitos como fora a grande invenção de Graham Bell. Mas, para mim, essa idéia começou a me inquietar a partir de duas experiências distintas. Num primeiro momento, o desejo de fazer parte desse mundo dos blogs veio da leitura de cartas. Parece estranho. Começar um blog instigada por cartas... Se bem que sou da geração das cartas. Dos tempos em que se visitava a caixinha dos Correios diariamente à espera das notícias dos queridos. Há poucos dias, terminei a leitura do livro Cartas entre Amigos, recém-lançado a quatro mãos, por dois jovens autores da minha geração. Gabriel Chalita e padre Fábio de Melo resolveram resgatar o hábito de se comunicar por cartas, portadoras de reflexões sobre medos que nos assediam na atualidade. E essa troca de impressões e experiências me emprestou voz para falar um pouco sobre as minhas também. Paralelamente a isso, comecei a comentar no blog de uma amiga e percebi essa movimentação de idéias procurava um espaço maior onde pudesse me expressar.
Assim, me encorajei a pôr o pé na estrada. Vou levar uma bagagem leve, que não me atrapalhe a caminhada e me permita dialogar ao longo do percurso. Se quiser me acompanhar, seja bem-vindo. Que seja uma experiência enriquecedora, que haja pensamentos e palavras que façam bem. ●
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