28 de fevereiro de 2010

DE QUAL LADO VOCÊ ESTÁ ?

Vi a entrevista de um sociólogo que me deixou pensativa. Muito se fala sobre mundo capitalista, sociedade consumista e já estamos de ouvidos saturados de escutar o blá blá blá em torno da figura majestosa do consumidor. O consumidor, rei que rege com suas vontades supremas e absolutas, mola propulsora da engrenagem do consumo desenfreado. Conta a lenda que é ele quem dita modas, que faz abrirem ou fecharem franquias, que leva marcas à ascensão ou à queda.

Fui surpreendida com o outro lado dessa mesma moeda. Falava o sociólogo que há os consumidores de fato e, para minha surpresa, há, também e em maior número, os consumidos. É mais fácil e simplista fabricar a imagem de uma figura plena de poderes que comanda o sistema capitalista como um todo. Mas a realidade é bem outra. O que dizer daqueles pais de família que se sentem impotentes por não poderem comprar o modelo de tênis recém-lançado daquela marca famosa para o filho adolescente que até ameaça abandonar os estudos se não tiver o desejo realizado ? O que dizer da menina que se depara com a realidade de que vai ter que estudar para terminar aquele curso técnico de telefonista e enfrentar a batalha da procura pelo primeiro emprego ao invés de continuar sonhando com a carreira de modelo e se espelhando naquela moça que estampa metade das revistas expostas na banca ?

Se fossem de fato consumidores não se esqueceriam de seus valores, seus gostos, seu poder e livre arbítrio. A angústia pela falta de dinheiro para consumir marcas, a necessidade de acompanhar a multidão que se veste igual, come igual e fala igual são reflexos que há mais consumidos que consumidores espalhados por aí. Não há muita indagação da utilidade da compra, da razão de tal comportamento. É impulso alimentado pelo semelhante ao lado. É incrível a popularidade do comércio pirata que dispara à frente do dito comércio legal. Não pode comprar a bolsa original da grife ? Não há problema... Tem uma “igualzinha” vendida no mercado informal e que custa a metade do preço... Esperteza ou aprisionamento ? São os reféns dos ditames da moda, que pensam ser consumidores, mas, de fato, são meros consumidos...

Nada contra o consumo. Muito bom desejar e poder satisfazer o desejo. Muito bom adquirir bons produtos e trazer praticidade e bom gosto ao dia a dia. O problema surge quando nos percebemos aprisionados aos ditames das tendências de moda e vamos violando nossos gostos e valores para nos reduzirmos a consumidos guiados pela cegueira do consumo desenfreado. Quero continuar consumindo por que quero. Liberdade e autenticidade urgente ! ■

23 de fevereiro de 2010

EXERCÍCIOS DE FELICIDADE 2

Refletindo sobre esse novo desafio de fazer exercícios diários de felicidade, cheguei à conclusão de que há desdobramentos no assunto... Luciana volta ao passado e revive a lembrança de bons momentos que foram um dia e ainda permanecem. Pensei que podemos ir além e nos exercitarmos no hoje e no amanhã também. Por que não?

Exercícios de felicidade para hoje
Que tal ouvir aquela música da qual tanto se gosta, por exemplo. Ou pegar o telefone e bater um papo com aquela amiga de longa data de quem só temos notícia por e-mail? Ou, então, que tal fazer aquela comidinha gostosa que muitas vezes é trocada por um rápido sanduíche? Ou ler um bom livro? Vamos investir mais horas do dia de hoje na nossa própria felicidade. E que sejamos sábios para encontá-la nos rituais e acontecimentos ordinários da vida. Na despretensão da simplicidade, na ilusão do contentamento, na respiração do minuto seguinte.

Exercícios de felicidade para amanhã
O futuro só será revelado no tempo certo. Isso é verdade. Mas o pensamento mais sábio é entender que o amanhã começa a ser construído no dia de hoje. Partindo dessa máxima, precisamos nos projetar no amanhã também. Viver com os pés no hoje e as idéias no amanhã. Mesmo porque, se não for assim, nada vai diferenciar a esperança que depositamos no amanhã de tudo o que nos desagrada no dia de hoje. Racionalizar o futuro é mais inteligente e coerente que apenas sonhá-lo. Sonho, quando se acorda, nos separa da realidade; ação, nos aproxima do que sonhamos.

Vou lá, continuar assistindo minha novela (...) e aprendendo um pouco mais nesse consultório informal de psicologia gratuita e, por vezes, eficaz. Vou me exercitando com a lembrança do ontem, a possibilidade do hoje e a esperança do amanhã.

Obrigada, Luciana... ■

18 de fevereiro de 2010

EXERCÍCIOS DE FELICIDADE

Não sou muito de assistir novela. Em geral, acho uma coisa cansativa, uns personagens que se repetem, expressando-se com frases igualmente repetitivas. Acho que conto nos dedos de uma mão só as novelas que realmente marcaram minha vida. Que eu dedicava aquele tempo diariamente para me sentar em frente à TV e acompanhar mais um capítulo.

E a história se repete... Estou encantada com as nuances da trama Viver a Vida, de Manoel Carlos. No meu caso, é quase redundante gostar da novela de Maneco. Dessas que guardo comigo, acredito que umas 99% foram inspiração desse mesmo autor. Então, todos os dias, desde 14 de setembro, lá estou eu me deleitando com a vida de cada personagem. Me envolvendo com uns, tomando partido de outros, me identificando além da telinha.

Anteontem, ouvi uma expressão muito boa que já incorporei ao meu vocabulário. A personagem Luciana, ex-modelo que se depara com a nova realidade de ser tetraplégica, contava a um amigo que tem buscado fazer todos os dias “exercícios de felicidade”. Curioso, ele perguntou o que significavam, como os fazia. E ela disse que ficava buscando na memória momentos bons de recordação que já passaram, mas que sempre a acompanharão ao logo de toda a vida. Comprei a idéia.

Todos temos arquivos fantásticos, inesquecíveis que fazem parte da nossa história de vida. Então porque deixá-los lá, empoeirados, relegados ao mero esquecimento se são inesquecíveis? Pode parecer uma boa terapia. Vou experimentar. Isso não significa se desligar do presente, ignorar os problemas, fingir que eles não existem. Mais que isso, é ter consigo doces lembranças de vida, de instantes que foram e ao mesmo tempo ficarão para sempre. Às vezes, a realidade é cinza. Por que não buscar aquela tarde naquele último dia de férias na praia, sentir de novo o cheiro, ouvir os sons que alegraram aquele momento? E o dia do baile de formatura, quando o nervosismo dificultava o equilíbrio sobre o salto, o estômago apertava na hora de levantar e pegar o diploma. Enfim.

Pelo que entendi, Luciana precisa aprender a encontrar a liberdade de ser feliz novamente mesmo fisicamente presa a uma cadeira de rodas. E ela tem buscado se lembrar do quanto a pessoa e a essência Luciana foram felizes antes dessa inesperada tragédia. Eu quero isso também. Quero aprender a viver da melhor forma o dia de hoje, mesmo sabendo que ele pode ser mais difícil do que eu esperaria que fosse. Quero lembrar que o ontem foi muito bom e, por isso, o hoje pode ser ainda melhor. Então, vou fazendo meus exercícios de felicidade, oxigenando o cérebro e libertando o pensamento para seguir em frente... ■

16 de fevereiro de 2010

VOLTEI

Depois de longos dias afastada desse espaço virtual, voltei. Incrível como o final de ano vai desacelerando a gente ao extremo de irmos pouco a pouco abandonando projetos ainda não bem consolidados. Se é por obrigação, vamos até o fim. Sobrevivemos aos 31 dias de dezembro e começamos janeiro seguinte apenas como uma folha virada no calendário. Mas quando o negócio é sem obrigação, a gente vai saindo de fininho, tentando recuperar o fôlego então perdido por 12 meses que se sucedem sabe Deus como...

Não é fácil. O mesmo cérebro, os mesmos neurônios, as mesmas pernas, o mesmo coração pra darem conta de tantos sentimentos desencontrados, tantas emoções incoerentes, tantos passos mesmo sendo alguns em falso. Penso que esse negócio de calendário foi inventado por algum bendito psicólogo, neurologista ou afim. Imagine se não houvesse essa ruptura? Ainda que fictícia, porque no dia primeiro de janeiro as dívidas, os problemas ou as alegrias não começam do zero. Não é como nos joguinhos de games que passamos pra outra fase e nossa bateria está recarregada igualmente com nossos estoques zerados. Mas, mesmo assim funciona. A gente compra agenda nova, passa a limpo o que vai continuar com a gente, tenta perdoar, busca pensar positivo e isso faz uma diferença danada...

Nem foi de caso pensado eu voltar por agora. Fiquei sem computador quase 30 dias (o que pareceu um longo ano) e só o resgatei semana passada. Não acredito em coincidências, mas estou de volta nesse finzinho de carnaval: justamente quando a vida da gente começa a andar de fato e todos têm que retomar os postos pra tocar em frente os próximos 10 meses que se seguem. Não prometo não abandonar o blog (porque também detesto promessas não cumpridas), mas vou me esforçar um pouco mais para que ele esteja no ar nas quatro estações de 2010. É uma maneira a mais de caminhar junto, de dividir o peso da mochila durante a caminhada. Então vamos. Outra vez... ■