27 de setembro de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"O difícil leva um tempinho. O impossível é o que leva um pouquinho mais..." (Fridtjof Nansen)

26 de setembro de 2009

QUERO A PRIMAVERA EM MIM

Há três dias começou oficialmente a Primavera. E ao virar dos ponteiros, com hora marcada, começaram a desabrochar belas espécies de flores ao nosso redor. Não, não é bem assim. A oficialidade da coisa, acredito, existe mais para convencer nosso racional cérebro do que para autorizar que os jardins venham colorir ainda mais os nossos dias.

Nós, humanos, vivemos a dualidade do emocional x racional. Assim, não podemos nos furtar de assumir a responsabilidade de fortalecer um lado mais que o outro à medida que vão aparecendo as situações à nossa frente. Por isso, a necessidade de haver um calendário que nos avise que acabou o tempo velho e já é chegado o novo tempo. Agora, a primavera. Daí, então, parece que começamos a enxergar os jardins ao lado, a sentir o perfume daquela roseira antiga no quintal. Funcionou ! O cérebro aceitou o estímulo do contar dos dias e o coração se entregou a essa nova percepção da realidade que por ali estivera esquecida.

Primavera é tempo de colorir os dias. De enfeitar a alma. Com o pretexto de prestigiar esse presente tão belo da natureza, inspiramos um ar mais puro e cedemos ao poder da contemplação da estética inventada por Deus. Curvamo-nos diante dos verdes, que renovam nossas esperanças e acalmam nossas inquietudes. Dos amarelos e laranjas, que revigoram nossas energias. Dos vermelhos, que acendem nossas paixões. Dos azuis e violetas, que nos serenizam nosso espírito. É raro ficar indiferente diante da gama de possibilidades que a beleza das flores nos oferece. Do perfume, das cores, da singeleza do gesto de presentear ou, simplesmente, enfeitar a casa.

Quero a primavera em mim. Quero florir ao meu redor e florescer diante da vida. Quero aproveitar essa inspiração para desabrochar sonhos, concretizar planos ou, apenas, viver bem esses dias de cores mil. Quero colher novas esperanças no meu jardim. Mas não vou me acomodar ao gesto da colheita. Vou plantar sementes que só possam frutificar com o passar dos meses, quem sabe na próxima primavera. Quero aprender com essas mudanças na natureza e entender que elas são metáforas da vida. Do frio da alma, representado pelo inverno. Do cair das folhas no outono, até chegar a felicidade simples na existência da primavera. Sinta o perfume das flores ao seu redor. Basta querer... ●

20 de setembro de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Drummond)

18 de setembro de 2009

QUERO AS CHAVES SEMPRE NAS MINHAS MÃOS

Esse negócio de sentimento é complicado... Por que umas pessoas se atraem umas pelas outras? O que nos faz fitar os olhos em um determinado alguém? Até aqui não acredito que os opostos se atraem. Não consigo imaginar como o que de tão contrário enxergo no outro possa me completar e a ausência disso me fazer falta. Comigo não funciona assim. Então, o que me atrai, por que me atrai? Acredito, sim, que enxergo no outro alguma coisa de que gosto e não a vejo em mim. Pode ser que exista, mas esteja lá, tão escondida que eu ainda não a tenha localizado, descoberto nos recônditos do meu ser. Quem sabe, eu ainda não tenha encontrado a chave que faça abrir esse compartimento ainda não visitado.

Quero aprender a enxergar no outro o que me faz falta e arregaçar as mangas para procurar isso em mim, sem pressa, até encontrar. Afinal o que está no outro é literalmente do outro. Me atrai, me completa por uns momentos, mas continua ausente em mim. É fugaz. Por isso, não quero mais ter preguiça de cavar meu próprio poço, pescar meu próprio peixe. Posso até aceitar o anzol emprestado, mas não vou mais aceitar o peixe já frito...

Esse negócio de atração é complicado... Às vezes, a gente nem percebe, alguém chega de mansinho, pega a tal da chave e vai passeando por esses recônditos quando bem quer. Chave nas mãos, entra e sai quando bem entende e a gente nem dá falta da tal chave. Mas isso não é o pior. Pior ainda é quando a gente mesma pega a fatídica chave, entrega nas mãos de alguém que a deixa desleixadamente por aí, não dando importância pra esse elemento de acesso ao nosso ser mais íntimo. Daí, certa hora, a gente resolve pegar a chave de volta, pra botar ordem na casa. Para nossa surpresa, a pessoa responde despreocupadamente que não se recorda nem de ter recebido a dita chave... Culpa dela? Não. Culpa nossa, mesmo. Aí, pra recuperar essa chave... É uma dor de cabeça danada. Vai a gente procurar nossa identidade por aí, sem saber nem mais como bem era ou se era ainda alguém...

A maturidade nos estimula a acordar pra vida e não deixar o tempo passar irresponsavelmente. A idade que se foi nos leva a inocência e nos alerta de que somos diretamente prejudicados pela nossa omissão por nós mesmos. Quero sempre ter as minhas chaves em minhas mãos. Daí, vou entregando a quem achar que devo e tomando de volta com a mesma autonomia. São minhas as chaves. Do meu coração e da minha vida todinha, mesmo. Não quero mais esse negócio de ir deixando as chaves por aí, em mãos alheias quaisquer. De ir entregando meus tesouros em mãos que não se interessem em lapidar meus diamantes, em tirar a poeira das minhas pérolas.

Sou amante da gratuidade dos afetos, mas dou um valor danado ao zelo. Ao cuidado amoroso, à atenção revigorante. Quem pega minhas chaves e as deixa por aí, esparramadas em lugares quaisquer, apenas me mostra que esse é o lugar ocupo: um qualquer. Mas também só as pega uma vez. Não quero mais qualquer coisa, tampouco ocupar qualquer lugar. Quero ser eu, na minha completude, com todas as minhas possibilidades e limitações. Com minhas poeiras e pérolas. Aos displicentes de plantão, fica o aviso: de vez em quando troco minhas fechaduras... E de antemão já aviso: as minhas chaves sempre estarão nas minhas mãos. ●

13 de setembro de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando. Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu." (Luís Fernando Veríssimo)

10 de setembro de 2009

TENHO APRENDIDO A VOAR...

Descobri há pouco tempo uma nova maneira de viver: levemente. E essa leveza me permite fazer coisas até então inimagináveis. Voar é uma delas. Tenho aprendido a voar...

Quando me perco na imensidão azul do céu, meus pés não tocam mais o chão, meus ouvidos não ouvem mais os barulhos rasteiros da Terra, meus olhos podem contemplar a imensidão do horizonte.

Ficam jogados no chão os meus problemas, os meus insucessos, as minhas frustrações, tudo o que não deu certo em mim nem para mim. Vejo lá esparramados meus medos, minhas angústias, meus desconsolos. Escorrendo pelo rio da vida, desembocando no oceano do ontem que não volta mais.

Lá pra cima, sobem comigo muitas coisas. Mas não me pesam porque todas são leves e, por isso, não me impedem de voar. Sobem os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha fé na certeza de que vale a pena aceitar o desafio de viver apenas o dia de hoje e da melhor maneira possível. Assim, convivo em paz com meus melhores sentimentos: os que me nutrem a alma e curam meu corpo.

De uns tempos pra cá, a melhor coisa que fiz foi comprar esse par de asas e me aventurar sozinha a aprender a voar. Cansei de pedir asas emprestadas. Decidi assim, subitamente. E uma vez em posse das minhas próprias asas, não fiquei esperando que ninguém se dispusesse ou me atrasasse (com falsas promessas) o processo do aprendizado do vôo. Vou começar voando baixo até adquirir confiança, pensei. Vou subindo aos poucos e me sentindo mais segura nessa nova empreitada de ser: alada.

Findo mais um vôo, mente arejada, fôlego renovado, eu volto. Volto aos desígnios da Terra, recolho lá o que me interessa para prosseguir a caminhada. Mas volto leve e assim escolho bem viver: sem me tornar peso aos outros, nem pesar sobre mim mesma. Vivendo num sopro, num leve sussurro. Dia a dia. Até o próximo vôo. ●

6 de setembro de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

“O homem não é perturbado pelos eventos, mas pela visão que tem deles.” (Epicteto)