Era uma vez uma menina
que gostava de gostar de todos,
digo, de tudo.
A menina sorria pra todos,
digo, pra tudo.
A menina se encantava por todos,
digo, por tudo.
E a menina esperava de todos,
digo, por tudo.
Um dia, a menina arregalou os olhos
e olhou de susto.
E viu que era sozinha.
Mesmo sempre estando ao redor de todos,
digo, de tudo.
E o olho da menina chorou.
Chorou pela falta de todos,
digo, de tudo.
Foi então que a luz do sol
secou o choro do canto do olho da menina.
E ela aprendeu a sorrir sozinha.
Sorrir pro espelho, sorrir pro vento e sorrir pra si.
Mesmo sabendo
que não tinha ninguém ao redor dali.
Hoje ela é a menina que ri.
Que ri de todos, digo, de tudo.
Que ri dos outros,
que pensavam que ela era tão boba
que não via que eles não estavam ali. ■
31 de maio de 2010
21 de maio de 2010
FELICIDADE É LUTA
“Perguntei à minha vida :
- Como achar a apetecida felicidade absoluta ?
E um eco me disse :
- Luta !”
(Guilherme de Almeida)
Decididamente, viver não é lá bem fácil. Digo viver bem ou bem viver a vida é tarefa diária, árdua, complexa. Escolher ser feliz é uma opção que custa tempo, dedicação e perseverança.
Aos preguiçosos, que sequer se animam a tentar, parece que a felicidade alheia é dádiva divina ou meramente questão de sorte. Discordo desse conceito superficial e reducionista. A coisa não é bem assim... Ser feliz dá trabalho. É preciso coragem e empenho para procurar e encontrar a tal da felicidade. Gostei desse pensamento acima, que me cativou hoje na página de um livro. Verdade absoluta ou não, concordo com o poeta. É mais mangas arregaçadas e suor no rosto que plim-plim de varinha de condão.
Não sei se dona genética é completamente responsável pelo desejo de buscar o bem-estar consigo e pela disposição em lutar para ser feliz. Vemos tantas histórias contraditórias por aí. De gente que tem “tudo” pra ser feliz e não é; e de outros tantos que nem deveriam esboçar sorrisos e são realizados em ser quem são. Não falo de conformismo, de mero contentamento por si só. Falo de aceitação da realidade e de esperança sadia e empenho para se chegar onde se quer chegar e ser quem se pretende ser.
Gosto muito daquela máxima popular de que “o importante não é fazer o que gosta, mas gostar do que faz”. Planos todos fazemos. Uns se cumprem e outros não. Desejos todos temos. Uns realizamos e outros tantos não. Deve estar aí a chave: bem viver como se vive. Apesar das pedras na estrada, da poeira que embaça a visão, das pernas fatigadas pela jornada.
Penso que ninguém é feliz nem por completo nem por acaso; tampouco completa e irremediavelmente destinado a ser infeliz. Creio que há luz a brilhar sobre cada um de nós. Acredito que é preciso e mais revigorante se esforçar para enxergar luminosidade, ainda que precária, sobre as trevas. Sempre há pelo menos um motivo a ser elegido para recomeçar e continuar a caminhada. Mesmo sabendo que dá trabalho. Mesmo sabendo que não é fácil... ■
- Como achar a apetecida felicidade absoluta ?
E um eco me disse :
- Luta !”
(Guilherme de Almeida)
Decididamente, viver não é lá bem fácil. Digo viver bem ou bem viver a vida é tarefa diária, árdua, complexa. Escolher ser feliz é uma opção que custa tempo, dedicação e perseverança.
Aos preguiçosos, que sequer se animam a tentar, parece que a felicidade alheia é dádiva divina ou meramente questão de sorte. Discordo desse conceito superficial e reducionista. A coisa não é bem assim... Ser feliz dá trabalho. É preciso coragem e empenho para procurar e encontrar a tal da felicidade. Gostei desse pensamento acima, que me cativou hoje na página de um livro. Verdade absoluta ou não, concordo com o poeta. É mais mangas arregaçadas e suor no rosto que plim-plim de varinha de condão.
Não sei se dona genética é completamente responsável pelo desejo de buscar o bem-estar consigo e pela disposição em lutar para ser feliz. Vemos tantas histórias contraditórias por aí. De gente que tem “tudo” pra ser feliz e não é; e de outros tantos que nem deveriam esboçar sorrisos e são realizados em ser quem são. Não falo de conformismo, de mero contentamento por si só. Falo de aceitação da realidade e de esperança sadia e empenho para se chegar onde se quer chegar e ser quem se pretende ser.
Gosto muito daquela máxima popular de que “o importante não é fazer o que gosta, mas gostar do que faz”. Planos todos fazemos. Uns se cumprem e outros não. Desejos todos temos. Uns realizamos e outros tantos não. Deve estar aí a chave: bem viver como se vive. Apesar das pedras na estrada, da poeira que embaça a visão, das pernas fatigadas pela jornada.
Penso que ninguém é feliz nem por completo nem por acaso; tampouco completa e irremediavelmente destinado a ser infeliz. Creio que há luz a brilhar sobre cada um de nós. Acredito que é preciso e mais revigorante se esforçar para enxergar luminosidade, ainda que precária, sobre as trevas. Sempre há pelo menos um motivo a ser elegido para recomeçar e continuar a caminhada. Mesmo sabendo que dá trabalho. Mesmo sabendo que não é fácil... ■
13 de maio de 2010
SAUDADE PRO CORAÇÃO
Um médico que cuida também da alma ?
Sim, e uma alma que alegra o coração.
Um coração que pulsa o minuto seguinte.
Um minuto que é transformado em eternidade.
Uma eternidade que cabe no dia de hoje.
E um hoje que começa ontem e se estende até amanhã.
Um amanhã que traduz a infinitude da beleza do agora.
E agora?
Agora fica a saudade.
Saudade que alimenta a esperança do encontro, da certeza do sim.
Sim, pra mim.
Pra mim, nós na vida.
Pra vida, pra sempre.
Sempre vale a pena.
Sempre... ■
Sim, e uma alma que alegra o coração.
Um coração que pulsa o minuto seguinte.
Um minuto que é transformado em eternidade.
Uma eternidade que cabe no dia de hoje.
E um hoje que começa ontem e se estende até amanhã.
Um amanhã que traduz a infinitude da beleza do agora.
E agora?
Agora fica a saudade.
Saudade que alimenta a esperança do encontro, da certeza do sim.
Sim, pra mim.
Pra mim, nós na vida.
Pra vida, pra sempre.
Sempre vale a pena.
Sempre... ■
11 de maio de 2010
O RITMO DA VIDA
“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem!”.
(Guimarães Rosa)
Assim, o maior desafio a ser vencido todos os dias é descobrir qual é o ritmo da vida que está proposto pra nós e entrar nesse ritmo. Acelerar-se demais faz com que a fadiga nos consuma e ofusque a beleza do momento presente. Atrasar-se demais faz com que a vida passe diante dos nossos olhos e não sejamos capazes de acompanhar o ciclo do hoje, o mover desse instante.
E para dar conta de tanto ir e vir, em ritmos tão diferentes ? É encher o peito de ar, erguer a cabeça e sussurrar aos próprios ouvidos, ao som dos ventos:
"Menina, coragem !". ■
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem!”.
(Guimarães Rosa)
Assim, o maior desafio a ser vencido todos os dias é descobrir qual é o ritmo da vida que está proposto pra nós e entrar nesse ritmo. Acelerar-se demais faz com que a fadiga nos consuma e ofusque a beleza do momento presente. Atrasar-se demais faz com que a vida passe diante dos nossos olhos e não sejamos capazes de acompanhar o ciclo do hoje, o mover desse instante.
E para dar conta de tanto ir e vir, em ritmos tão diferentes ? É encher o peito de ar, erguer a cabeça e sussurrar aos próprios ouvidos, ao som dos ventos:
"Menina, coragem !". ■
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