31 de agosto de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." (Confúcio)

28 de agosto de 2009

A ESCATOLOGIA DO HOJE

Gosto muito da certeza de que nossos pensamentos evoluem com o passar dos dias e o aprofundar nos nossos conhecimentos. Há tempos ouço falar sobre o fim do mundo, a consumação do século. Um evento esperado pelos cristãos, sobre o qual não se sabe a data, mas sabe-se que acontecerá.

Em contato com um pensamento até então diferente do meu, comecei a enxergar a escatologia, o estudo do fim dos tempos, como um evento marcado para acontecer ainda no dia de hoje. Explico melhor. Uma reflexão mais lúcida ou até inteligente que nos conduz a pensar que o fim do mundo se realiza quando termino meu dia de hoje. Quando faço adormecer comigo minhas possibilidades, meus temores, minhas expectativas, minhas frustrações, minhas realizações. Minhas chances de dar certo, ou não. De transformar o mundo a partir de mim, ou não. Isso não significa negar que haverá o dia da volta de Cristo, do qual nos fala a Sagrada Escritura, a Palavra de Deus. Significa, sim, me reconhecer responsável pelo que depende de mim nesse espaço temporal condensado no dia de hoje. Assim, preciso me fazer agente na diminuição das mazelas do mundo, na semeadura de palavras de esperança, no desejo de fazer com que hoje seja melhor que ontem.

Não quero mais seguir o pensamento ora irresponsável dos apocalípticos de plantão. Daqueles que muito se apegam aos detalhes simbólicos associados aos eventos do fim dos tempos. Se cairá ou não fogo do céu, se Jesus voltará antes ou depois do meio-dia, por exemplo. Quero seguir, sim, essa proposta escatológica da consumação no hoje. De socorrer meu coração faminto e outros tantos ao meu redor. Famintos de pão que alimente o corpo e a alma. Sedentos de água viva que promova uma vida nova a partir desse instante, movidos pela crença na transformação a partir da inspiração divina.

Que o juízo final aconteça agora nos nossos corações. Que não sejamos condenados pela nossa própria consciência negligente. Mas, sim, que sejamos absolvidos pelo tribunal dos nossos olhos. Que eles nos permitam enxergar que há luz para onde se caminhar, lado a lado, com os que se encorajarem a não desistir de recomeçar quantas vezes for necessário ainda no dia de hoje. Enquanto não chega o fim. ●

25 de agosto de 2009

NOSSOS AMIGOS COR DE LARANJA

Quero deixar aqui registrada a minha predileção e meu respeito por uns profissionais que são tão desprezados na nossa sociedade: os garis. Vejo por aí muitas pessoas reclamando por tão pouco. Amarram a cara o dia todo todos os dias porque são secretárias, médicos, advogados, empresários, donas-de-casa. Reclamam porque passam o dia atendendo telefone, atendendo paciente, lavando louça etc. O que dizer dos garis? Passam o dia inteiro, todos os dias, ano após ano correndo atrás de um caminhão de lixo. O que é lixo? É resto, sobra, descarte, dejeto. Meu Deus, como pode uma pessoa sair de casa disposta a correr horas a fio atrás de um caminhão que exala cheiro fétido. Além disso, tem outro lado ainda pior: o psicológico. Ser discriminado, confundido com a carga do caminhão. Imagine um gari ao fim do dia. Mãos impregnadas do cheiro que ultrapassa a aspereza das luvas. Pernas cansadas de correr atrás do que queremos nos livrar. Olfato judiado por tanta podridão. E olhos marejados pelo desprezo de quem se esquece que gari também é gente...

A profissão de gari é uma profissão corajosa e nobre. É preciso muita auto-estima para não se deixar confundir com toda aquela imundície. É preciso esquecer-se dela quando chegar o fim da jornada. O trabalho dos garis é indispensável. Imagine se todos eles resolvessem mudar de profissão ou se sentissem aborrecidos pelo desdém social e cruzassem os braços. Quem já leu ou assistiu a obra Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, me compreende melhor. Caoticamente, a vida seguiria sem a contribuição valiosa dos nossos amigos cor de laranja. Curvemo-nos respeitosamente diante desses profissionais que ainda não têm seu valor reconhecido no salário, tampouco nos olhos embaçados da sociedade. Que eles tenham a graça de aprender a enxergar além do caminhão de lixo. Que possam se encorajar sempre a acreditar que o valor do ser humano está na essência do que se é e não do que se tem ou quanto se tem. Desejo isso. Que corram atrás de um caminhão de sonhos, esperanças, amor próprio todos os dias. E que a carga contaminada do lixo que produzimos não lhes pareça mais que uma metáfora da verdadeira condição humana: o fim de ser pó. ●

23 de agosto de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"A perseverança é a mãe da boa sorte." (Cervantes)

21 de agosto de 2009

QUANDO EU CRESCER

“O que você quer ser quando você crescer ?” Despretensiosamente, encontrei hoje uma resposta coerente para essa fatídica pergunta que respondi umas mil vezes quando ainda era criança. Minha resposta, um pouco tardia, porém convicta, é: “Quero ser resiliente”.

Resiliência... Confesso que estou encantada com a importância do significado dessa palavra. Trazida da física para a psicologia, carrega o sentido da superação diante dos obstáculos da vida. Diante das pedras que vão aparecendo no nosso caminho. Às vezes, presenciamos acontecimentos idênticos que acometem várias pessoas, porém a reação de cada uma delas é particular. Umas permanecem paralisadas frente à dor. Outras conseguem reagir, passado o choque, e dão seguimento à reconstrução da vida. Continuam a caminhada, experimentando assim a tal da resiliência. Tal como o bambu, que se curva diante da força do vento que lhe ameaça a aparente fragilidade e assim consegue se manter de pé, firme, depois da impetuosidade do sopro.

É preciso estarmos dispostos a aceitar esse desafio. A pensarmos formas de aprendermos a nos movimentar acompanhando a direção dos ventos que sopram sobre nós. Sopram brisas suaves que nos embalam, mas sopram, também, ventos contrários quando menos esperamos. Acredito que uma maneira de nos encorajarmos a encontrar essa capacidade de resiliência dentro de nós seja pensarmos que estamos todos no mesmo barco. Deixemos a fragilidade do vidro e procuremos a flexibilidade do bambu... Busquemos a disposição de pelo menos nos empenhar em dar o próximo passo na estrada da vida. Vale à pena tentar brincar de ser gente grande. ●

18 de agosto de 2009

ESTAR PRONTO

“O estar pronto é tudo”, nos diz Hamlet. Essa máxima me vale como combustível para aqueles momentos em que as coisas não caminham bem do jeitinho que eu gostaria que caminhassem. Ah, se fosse no tempo da gente, como a gente quisesse... Mas, às vezes, ventos nos levam por caminhos que nos distanciam dos nossos sonhos, fazendo-os parecer impossíveis de tomarem forma de concretude, de serem tornados realidade.

O cristianismo que habita em mim me leva a acreditar que os planos de Deus jamais serão frustrados ou deixarão de se realizar. Os meus olhos naturais são limitados a me mostrar apenas o que já está perto, próximo de mim. Mas os meus olhos da fé me permitem e encorajam a enxergar no vazio do que ainda não existe na materialidade da vida.

Preciso fazer do meu coração um jardim onde meus sonhos possam ser acalentados. Certamente, o que estiver escrito nos Céus chegará até mim. Se concretizará, terá existência na vida real. Se for para eu ter acesso a uma fatia do bolo, a bandeja passará na minha frente. E eu vou aceitar. Se eu estiver pronta, na hora certa reconhecerei o som da brisa aos meus ouvidos, me anunciando que é chegada a hora do doce momento do encontro. Eu escolho pensar assim...●

16 de agosto de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"A utopia está no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte se distancia dez passos mais além. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar." (Eduardo Galeano)

9 de agosto de 2009

AOS MEUS PAIS

Neste dia dos pais, quero agradecer.
Somente palavras de gratidão.
Agradeço aos meus dois pais.

Por tudo o que fizeram, fazem e ainda farão por mim.

Pelas noites em claro quando eu era bebê.
Pelos passeios nos arredores de casa.
Pela paciência em tentar me fazer aprender matemática. (risos)
Pelo entusiasmo nas minhas vitórias.
Pelo silêncio nas minhas derrotas.
Pela ajuda, o ombro amigo, as mãos de afago.
Pelo olhar compreensivo, pela voz doce.

Obrigada, Adalberto, daqui da terra dos viventes.

Obrigada, Deus, dos mais altos Céus. Obrigada por ajudar meu pai daqui da terra a me ensinar a buscar o caminho que me conduz ao Seu coração de Pai Eterno: o amor.

Amém. ●

4 de agosto de 2009

TESTANDO O PALADAR

Bem direto: Que gosto tem a vida ? Hummm... Para uns a vida é doce e gostosa como um brigadeiro. Para outros, amarga como um pedaço de jiló. Qual será o segredo do sabor da vida ? Se todos estamos sujeitos a todas as coisas, como explicar ? O poder daquela pitada está exclusivamente nas mãos de Deus, o Cozinheiro ? Está nos temperos que Ele emprega ? Certamente, não... Um pouco de reflexão nos leva a concluir que o sabor da vida está mais no paladar de quem a saboreia. Comer não se resume a mastigar e engolir. É mais que isso. É contemplar a beleza da combinação das cores no prato, aguçar o paladar pelo aroma, despertar a sensação de prazer à mesa. Assim, viver não pode significar negligenciar a riqueza do cotidiano, reclamar do dissabor do dia a dia.

Escuto frases do tipo: “não agüento mais meu emprego”, “minha vida é muito sem graça” etc. Diz o ditado que vida boa é a do vizinho. Às vezes, pensamos que nossa vida é muito monótona, uma mesmice onde nada acontece. A mesma mobília da casa, o mesmo trajeto pro trabalho, as mesmas companhias. Tudo igual todo dia sempre. Acontece que o cardápio da vida é o mesmo para todos. Por mais estranho que pareça, os milionários também se entediam, ficam cansados da rotina. É verdade. Embora viajem todos os fins de semana para a Europa, troquem de carro uma vez por mês etc. Se badalação fosse sinônimo de felicidade todos os pobres do mundo seriam infelizes. E, às vezes, vemos justamente o contrário. Pessoas que mal têm o que comer e vivem em condições precárias conseguem sorrir, celebrar a vida nessa precariedade que as rodeia. Não que isso seja uma forma de alienação. Pelo contrário. Talvez, por conhecerem o lado mais ácido da vida, certamente buscam no minimalismo, na simplicidade de que dispõem razões para continuar a acreditar na possibilidade da beleza do dia de hoje.

Graças a Deus, os sentimentos nos são dados na gratuidade. Não precisamos comprar alegria, esperança, fé. Precisamos, sim, por vezes, ajudados por quem nos ama, resgatar cada um deles dentro de nós. Vive melhor quem se interessa por treinar o paladar para sentir sabor na simplicidade. O que para muitos pode parecer piada é fórmula de sucesso para se alcançar qualidade de vida. É ter prazer em preparar uma refeição, em acordar para começar um novo dia, em desfrutar da companhia dos queridos. É redescobrir os significados das pequenas coisas. Em tempos tão modernizados, pode ser necessário que nossos netos tenham que aprender nos sites de busca sobre o que nossas avós sabiam de cor: que o desafio é aprender a sacralizar o cotidiano. ●

3 de agosto de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"Há momentos em que é essencial estar só. A razão e a emoção precisam conversar. Só assim as escolhas serão autênticas." Gabriel Chalita

1 de agosto de 2009