Muito se fala sobre o amor. O mais nobre e desafiador dos sentimentos. Aquele que começa ainda no ventre materno e, do qual depois, já mais crescidinhos, começamos a experimentar na própria carne seus significados. Do primeiro amor, das juras de amor eterno, da doçura dos amigos, do aconchego da família.
Falar de amor é fácil. Ou melhor, falar do falso amor é fácil, porque quando quisermos falar de amor verdadeiro a coisa começa complicar. Ao contrário do que muitos pensam, o termômetro do amor não é o ciúme, e, sim, o cuidado. Lembro daquela música que fez muito sucesso na voz de Caetano Veloso e diz: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Fala que me ama, só que é da boca pra fora”. É mentiroso dizer que se ama de longe, na ausência. Não que todos que se amem precisem estar geograficamente próximos uns dos outros. A vida tende a separar as pessoas. São projetos pessoais que nos levam para lados opostos. Mas o encurtamento das distâncias ficou muito facilitado com a Internet, por exemplo. Podemos estar presentes sem necessariamente estarmos ao lado. Daí ficar mais insustentável ainda a enganosa prática do “amor da boca para fora”.
Como há amor se não há cuidado? Não há amor se não há cumplicidade de almas. Que ama, quer estar junto. Não por formalidade, cobrança, obrigação. Quem ama, fica feliz na felicidade do outro e chora no choro do outro. Quem ama, celebra os novos projetos e ajuda a enterrar aqueles que chegaram ao fim. Dizer que ama sem se fazer presente é enganar a si mesmo e com um pouco de sorte se iludir achando que engana ao outro. O amor não tem fingimentos. Fingir é uma atitude covarde de quem precisa se justificar pelo peso da própria consciência. Amor é sentimento nobre, tem boa reputação. Ele é alimentado com a verdade e a coerência, e gerador de frutos de confiança.
Pense duas vezes antes de sair propagando ao vento suas palavras de amor. Pode ser que esse mesmo vento sopre nos ouvidos machucados de quem já experimentou falsos amores. Tomara que o amor que saia nas palavras da nossa boca seja sempre verdadeiro, para que o ruído do vento que as leve soe como música suave aos ouvidos daqueles que nos ouçam. Como diz a Sagrada Escritura: “Não amemos de palavra, nem de língua. Mas de fato e de verdade.” ●
28 de julho de 2009
20 de julho de 2009
DIA DO AMIGO
Poucas palavras para falar de algo fundamental no saudável convívio humano: a amizade. A verdadeira. Poucas palavras para não ser desnecessária, supérflua, redundante. Para não banalizar, não tirar a sacralidade do significado da palavra “amigo”.
Um amigo verdadeiro não conhecemos no discurso. O verdadeiro amigo está presente na vida, caminhando ao lado, não apenas nas palavras presas num e-mail, guardadas num cartão no fundo da gaveta. Amigo de verdade surpreende. Na madrugada da dor, na preparação da festa. Amigo de verdade não cansa, não desiste, não ignora, não esquece. Se traído pela precariedade do caráter meramente humano, volta, refaz. Não porque tem medo da cobrança do outro, mas, sim pela cobrança do próprio coração, pelo corar do próprio rosto.
Que a graça da amizade verdadeira seja derramada sobre todos aqueles que buscam ser verdadeiros uns com os outros. Que haja apreço sem interesse, vontade de estar junto com pureza e inteireza de coração. Que a profecia bíblica de que o amor esfriará de quase todos os corações nos fins dos tempos não se cumpra por nós. Poucas palavras para falar de um sentimento tão sagrado. Reverência. Silêncio diante da responsabilidade de entrar no universo do outro. Amém. ●
Um amigo verdadeiro não conhecemos no discurso. O verdadeiro amigo está presente na vida, caminhando ao lado, não apenas nas palavras presas num e-mail, guardadas num cartão no fundo da gaveta. Amigo de verdade surpreende. Na madrugada da dor, na preparação da festa. Amigo de verdade não cansa, não desiste, não ignora, não esquece. Se traído pela precariedade do caráter meramente humano, volta, refaz. Não porque tem medo da cobrança do outro, mas, sim pela cobrança do próprio coração, pelo corar do próprio rosto.
Que a graça da amizade verdadeira seja derramada sobre todos aqueles que buscam ser verdadeiros uns com os outros. Que haja apreço sem interesse, vontade de estar junto com pureza e inteireza de coração. Que a profecia bíblica de que o amor esfriará de quase todos os corações nos fins dos tempos não se cumpra por nós. Poucas palavras para falar de um sentimento tão sagrado. Reverência. Silêncio diante da responsabilidade de entrar no universo do outro. Amém. ●
18 de julho de 2009
14 de julho de 2009
EM PAZ COM O CALENDÁRIO
Começar uma dieta na próxima segunda-feira, iniciar a prática de uma atividade física por recomendação médica, voltar a estudar. Eis uma pequena lista das promessas que costumamos fazer a cada fim de ano. Segundo uma pesquisa britânica, apenas 10% das pessoas observadas por um ano conseguiram alcançar a meta proposta, ou seja, cumprir a promessa feita. Esse percentual tão baixo parece desanimador. Se todos tinham um objetivo a alcançar, por que apenas uma minoria conseguiu vencer o desafio? Ouso responder a essa pergunta a partir de dois pilares: persistência e paciência.
No começo, tudo é fácil. A empolgação da novidade, o desejo do resultado e a motivação são impulsores. E a necessidade da continuidade diária? O desafio é permanecer firme no propósito, naquele dia em que bate a preguiça, o desânimo, a vontade de desistir. Outro grande problema a ser resolvido é o controle da ansiedade. A urgência em perder dez quilos acumulados ao longo de dez anos, de ter fôlego de maratonista sem subir escada há meses, de concluir uma graduação ainda sendo calouro. Resultados não aparecem do dia pra noite. Por isso, é tão importante saber acompanhar as etapas do processo para ter fôlego e seguir em frente.
A forma mais segura de conseguirmos nos incluir nos 10% da referida pesquisa é viver um dia por vez. O passo de hoje é fundamental para continuar o processo e servir de estímulo para o passo de amanhã. Uma meta alcançada nos alimenta a alma. É uma vitória que levamos pra vida toda e serve de base para acreditarmos no nosso potencial de planejar e alcançar tudo o que um dia não nos passou de sonho. Agora é uma boa época para avaliarmos nossas promessas para 2009. Estamos no meio do ano, portanto no meio do ciclo. Que bom, se estamos conseguindo caminhar e encaminhar. Mas se paramos na metade do caminho, é hora de prosseguir com os olhos postos em dezembro... Para acabar com essa idéia de que promessa de fim de ano é feita justamente para não sair do papel. ●
No começo, tudo é fácil. A empolgação da novidade, o desejo do resultado e a motivação são impulsores. E a necessidade da continuidade diária? O desafio é permanecer firme no propósito, naquele dia em que bate a preguiça, o desânimo, a vontade de desistir. Outro grande problema a ser resolvido é o controle da ansiedade. A urgência em perder dez quilos acumulados ao longo de dez anos, de ter fôlego de maratonista sem subir escada há meses, de concluir uma graduação ainda sendo calouro. Resultados não aparecem do dia pra noite. Por isso, é tão importante saber acompanhar as etapas do processo para ter fôlego e seguir em frente.
A forma mais segura de conseguirmos nos incluir nos 10% da referida pesquisa é viver um dia por vez. O passo de hoje é fundamental para continuar o processo e servir de estímulo para o passo de amanhã. Uma meta alcançada nos alimenta a alma. É uma vitória que levamos pra vida toda e serve de base para acreditarmos no nosso potencial de planejar e alcançar tudo o que um dia não nos passou de sonho. Agora é uma boa época para avaliarmos nossas promessas para 2009. Estamos no meio do ano, portanto no meio do ciclo. Que bom, se estamos conseguindo caminhar e encaminhar. Mas se paramos na metade do caminho, é hora de prosseguir com os olhos postos em dezembro... Para acabar com essa idéia de que promessa de fim de ano é feita justamente para não sair do papel. ●
12 de julho de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade." (Rui Barbosa)
11 de julho de 2009
7 de julho de 2009
MICHAEL JACKSON: A SAGA DO HERÓI DE VIDRO
As luzes do palco vão ficar apagadas. O piso não vai mais sentir os deslizes, os rodopios, a evolução dos pés do fenômeno pop que foi Michael Jackson. Morte prematura, repentina. Pegou a todos de surpresa, inclusive, quem sabe até o próprio astro. Muitas especulações, muitas perguntas sem respostas. O fato é que chegou ao fim toda a trajetória de uma criança pobre, rica de talento na voz e nos pés, que cresceu por fora e parece que não conseguiu crescer por dentro.
A grandeza da imagem do ídolo contrastava com a essência frágil. Michael não era de aço. Ele era de vidro. O vidro é transparente, mostra o que tem por dentro: um coração desejoso de ajudar os que não chegaram aonde ele chegou. O vidro tem uma solidez aparente, uma concretude enganosa. O vidro é frágil. Ele quebra. Quando exposto a altas temperaturas, o vidro se rompe. Rompeu pelas marcas da infância, dos escândalos ao longo da carreira, dos flashes. Como Michael administrou tudo isso? Procurou dividir o fardo que carregou sobre os ombros? Contou com Deus, a família, os amigos, um bom terapeuta? Ou teria se fechado em si?
Foram muito longe na dureza dos julgamentos. Daí me aparece uma fala do próprio Michael Jackson dizendo que aprendeu a amar as crianças com Jesus Cristo... Quantas acusações. Quanta sede de fabricar escândalos. Os diabólicos de plantão choram a orfandade. Não poderão mais arranhar a imagem do Peter Pan do pop que pagou um preço muito alto por escolher viver como viveu: sonhador. É triste. Um astro que não cabia mais na embalagem de menino. Não cabia nos sonhos, nos medos, na atenção sincera que dão aos meninos. Precisava transcender. E o fez da forma que conseguiu. Celebremos o fenômeno que cresceu, sim, os olhares do mundo sobre a genialidade dos seus pés. ●
A grandeza da imagem do ídolo contrastava com a essência frágil. Michael não era de aço. Ele era de vidro. O vidro é transparente, mostra o que tem por dentro: um coração desejoso de ajudar os que não chegaram aonde ele chegou. O vidro tem uma solidez aparente, uma concretude enganosa. O vidro é frágil. Ele quebra. Quando exposto a altas temperaturas, o vidro se rompe. Rompeu pelas marcas da infância, dos escândalos ao longo da carreira, dos flashes. Como Michael administrou tudo isso? Procurou dividir o fardo que carregou sobre os ombros? Contou com Deus, a família, os amigos, um bom terapeuta? Ou teria se fechado em si?
Foram muito longe na dureza dos julgamentos. Daí me aparece uma fala do próprio Michael Jackson dizendo que aprendeu a amar as crianças com Jesus Cristo... Quantas acusações. Quanta sede de fabricar escândalos. Os diabólicos de plantão choram a orfandade. Não poderão mais arranhar a imagem do Peter Pan do pop que pagou um preço muito alto por escolher viver como viveu: sonhador. É triste. Um astro que não cabia mais na embalagem de menino. Não cabia nos sonhos, nos medos, na atenção sincera que dão aos meninos. Precisava transcender. E o fez da forma que conseguiu. Celebremos o fenômeno que cresceu, sim, os olhares do mundo sobre a genialidade dos seus pés. ●
5 de julho de 2009
PRA COMEÇAR A SEMANA
"A natureza faz poucas pessoas fortes, mas esforço e treinamento fazem muitas." (Maquiavel)
4 de julho de 2009
ENXERGAR ALÉM DA SAUDADE
Recebi um e-mail que mexeu comigo. Trata-se de uma mensagem sobre a saudade que vamos sentir ao longo da vida. Dos fatos e pessoas que vão passando pela nossa história. Em suma, da vida que já vivemos. É muito saudável termos essa certeza em mente: tudo e todos passam. O tempo passa e não volta. As pessoas passam e podem voltar um dia. Ou não.
Quando li o texto, fui remetida a uma experiência bastante recente que vivi da separação de uma pessoa querida. Fui pega de surpresa com a notícia, senti o chão abrir. A melhor e a pior coisa são quando depositamos muita confiança, muita expectativa no outro. É a melhor, porque essa falsa segurança nos tranqüiliza. É a pior, porque nos acomoda com a nossa capacidade própria de realização.
O processo da separação é uma experiência rica de crescimento pessoal, quando iluminada. Quando ficamos cara a cara com nós mesmos, nos vemos obrigados a nos fazer a melhor companhia para enxergar a luz que sempre brilha no final do túnel. Fica, sim, a tradução sensorial da palavra “saudade”. A lembrança, a vontade de estar perto, o sabor do que foi vivido. Dessa experiência que falei, de viver a separação por distância, a lição que tirei é que pior que a saudade em si pode ser o medo de sentir saudade. Aquele sentimento pós-choque que nos faz pensar que não vamos nos recuperar do baque. Acredito que um grande desafio a ser vencido pelo ser humano é tentar racionalizar a vida. Não é viver friamente, alheio aos sentimentos. Não é isso. Mas aprendermos que os sentimentos às vezes nos enganam. Precisamos conseguir dialogar com a razão, para nos poupar de alguns sofrimentos desnecessários. É preciso enxergar além da saudade. É aquela hora de pôr os pés no chão, olhar ao redor e perceber que a vida sempre continua. Reinventada, quando preciso. ●
Quando li o texto, fui remetida a uma experiência bastante recente que vivi da separação de uma pessoa querida. Fui pega de surpresa com a notícia, senti o chão abrir. A melhor e a pior coisa são quando depositamos muita confiança, muita expectativa no outro. É a melhor, porque essa falsa segurança nos tranqüiliza. É a pior, porque nos acomoda com a nossa capacidade própria de realização.
O processo da separação é uma experiência rica de crescimento pessoal, quando iluminada. Quando ficamos cara a cara com nós mesmos, nos vemos obrigados a nos fazer a melhor companhia para enxergar a luz que sempre brilha no final do túnel. Fica, sim, a tradução sensorial da palavra “saudade”. A lembrança, a vontade de estar perto, o sabor do que foi vivido. Dessa experiência que falei, de viver a separação por distância, a lição que tirei é que pior que a saudade em si pode ser o medo de sentir saudade. Aquele sentimento pós-choque que nos faz pensar que não vamos nos recuperar do baque. Acredito que um grande desafio a ser vencido pelo ser humano é tentar racionalizar a vida. Não é viver friamente, alheio aos sentimentos. Não é isso. Mas aprendermos que os sentimentos às vezes nos enganam. Precisamos conseguir dialogar com a razão, para nos poupar de alguns sofrimentos desnecessários. É preciso enxergar além da saudade. É aquela hora de pôr os pés no chão, olhar ao redor e perceber que a vida sempre continua. Reinventada, quando preciso. ●
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