30 de junho de 2009

É MELHOR JOGAR NA DEFESA

Dia desses, assistindo a um programa de TV, comecei a pensar um pouco sobre a difícil arte da convivência. Temos nosso ponto de vista, que se aproxima ou distancia do ponto de vista dos outros. Isso é exercício de liberdade de expressão, saudável para o emaranhado da teia social. Como soa estranho quando nos deparamos com tentativas de manipulação, em vez de exercício de liberdade. É como se eu quisesse que o outro passasse a concordar comigo, com meu pensamento. E nessa tentativa, começasse a invadir o espaço incomum. É avançar o limite, sem a permissão do outro.

Fiquei bastante incomodada. O entrevistador entrava de garras afiadas nas vísceras da presa. Não eram perguntas, nem curiosidades. Eram afrontas, sim. Beirava o ridículo. Eu me perguntava se o entrevistado deveria defender veementemente o ponto de vista dele ou se deveria ter se escusado daquele momento desnecessário de constrangimento. Cheguei à conclusão de que não. O entrevistado respondera à luz dos princípios nos quais acredita e, em momento algum, perdera a calma frente a tantos questionamentos impertinentes.

Se o apresentador tiver um rompante de lucidez, perceberá que perdeu a oportunidade de se enriquecer na experiência do convívio com o entrevistado. Daquele momento único. Ao fim, me fortaleceu a máxima de que devemos ser quem somos independentemente de onde e na companhia de quem estivermos. Os que nos amam, não nos afrontam. Os que não nos amam e nos afrontam, ainda assim merecem nosso respeito. Certamente, a maior punição para quem afronta é não conseguir corromper o coração de quem foi afrontado. ●

28 de junho de 2009

PRA COMEÇAR A SEMANA

"A nossa maior fraqueza é a desistência. A maneira mais segura de termos sucesso é tentar sempre mais uma vez." (Thomas Edison)

27 de junho de 2009

26 de junho de 2009

O SEGREDO DO SUCESSO

Vi uma reportagem que me fez continuar acreditando na essência do bem que habita no ser humano. Era a história de alguém que decidiu sonhar a vida e viver esse sonho. Falava da alma nobre de um homem que escolheu, há cinco anos, trabalhar com o fabrico e a restauração de instrumentos musicais, sem condições favoráveis para tanto. Ele busca nos entulhos a matéria-prima para transcender as adversidades. E ali, em meio a tantos pedaços de madeira bruta, o sentido da vida é talhado. Quem lhe compra um violão, pode nem imaginar quais acordes já foram tocados na fabricação daquele instrumento. Acordes de esperança, de fé, de coragem. Tudo isso ficou evidente quando aquele homem simples, ambientado numa realidade igualmente simples, se emocionou ao falar do próprio ofício, do desafio de acreditar no sonho de estar tão próximo da música e viver disso.

Muita gente procura fórmulas mágicas para alcançar o sucesso, tornar-se rico, famoso, e só assim ser feliz. A realidade é que poucos se destacam no meio da multidão. Por que isso acontece? Não sei. Mas aprendi um pouco mais com aquele homem humilde, que descobriu na dureza da vida o segredo do sucesso. Mais que uma gorda conta bancária, certamente o sucesso pessoal é mensurado pela paz que se tem no coração. Recolher restos de madeira no lixo, trazer para casa, construir engenhosamente instrumentos musicais e vendê-los sem isso ser altamente lucrativo. Para quê? Para continuar embalando a música que alimenta a alma dele. O som das batidas de um coração que pulsa a simplicidade na vida. ●

24 de junho de 2009

MAIS QUE CANJICA E BOLO DE FUBÁ

Fogueira, bandeirolas e quadrilha. Pau-de-sebo, correio elegante e prendas. Nesse mês de junho, o nordeste brasileiro pára. Embaladas ao som da sanfona, as cidades de Caruaru e Campina Grande disputam o título de ser “a capital do são-joão”. A grande movimentação dos turistas e o vai-e-vem nos hotéis e pousadas geram milhares de empregos temporários, esquentam a economia e divertem o povo. Para a população local, é muito rica a experiência de apresentar sua cultura para o Brasil e o mundo.

Muita festança, muita alegria, muita comilança. São barracas e mais barracas fartas de deliciosas comidas típicas. Mas, muito mais que pé-de-moleque, canjica e bolo de fubá, o 24 de junho celebra o nascimento de João Batista. Batista, porque foi chamado por Deus para batizar homens e mulheres para uma vida nova. João fora escolhido para anunciar a vinda de Jesus Cristo e assim preparar o caminho para a chegada do Messias. Levava a pregação do arrependimento dos pecados, da conversão e espera vindoura pelo reino dos céus – a ser instituído por Jesus, a quem também batizou.

Que esse arrependimento pregado pelo profeta João possa permanecer no nosso coração. É preciso nos arrependermos cada vez que o mundo ficar pior por nossa culpa. Quando formos preguiçosos no trabalho, impacientes no trânsito, mal-educados na fila do banco, irritados com os que estão num ritmo diferente do nosso. Entendamos que os grandes desastres da humanidade começam com pequenos erros que cometemos no dia-a-dia. Que cometemos e não voltamos atrás para tentar consertar... ●

22 de junho de 2009

INVERNO: ESTAÇÃO DE AQUECER A ALMA

Diz o calendário que começou a estação do inverno. Dias de frio, de sequidão. Roupas pesadas, semblantes igualmente pesados pelo desafio de levantar cedo em temperaturas tão baixas. Cores sóbrias ao redor, pouca conversa na rua para não congelar a língua, nem trincar os dentes. Para muitos, dias longos que passam devagar, uma falta de brilho que insiste em ofuscar a beleza da vida.

Será que é só isso? Ou podemos nos encorajar a olhar com outros olhos? É mais trabalhoso, porém mais bonito, ver o inverno além da neblina, da secura que se sustenta no ar. Que tal, enxergarmos o orvalho logo cedo pela manhã. Transformar em rituais os simples atos de tomar uma caneca de chá antes de ir pra cama ou um chocolate quente na companhia dos queridos. Inverno é, sim, tempo de aconchego. Inverno é bom pra reunir. Reunir a família, os amigos em torno da lareira. Me atrevo a ir mais além nessa idéia de reunir, aconchegar, que o inverno traz. Nesses tempos de quietude na cidade, quando buscamos nos esconder em casa dos sopros ruidosos do vento frio, é estação de reflexão. É bom gastar tempo para chegar junto dos nossos pensamentos. Embalar cada um dos nossos sonhos. Vamos aquecer a alma com esperanças renovadas.

Nesses dias frios, se abrigue. E mais que isso, ofereça abrigo também. Vamos aquecer o coração com palavras que façam bem. Que as sombras do inverno sejam dissipadas pela luz do nosso olhar. Que esse olhar possa acalentar o frio dos corações necessitados de calor humano, de uma lareira espiritual que lhes possa aquecer a alma. ●

20 de junho de 2009

19 de junho de 2009

SEMPRE É TEMPO

Domingo passado foi aniversário do meu pai. Tenho tirado muito proveito desse convívio dia a dia e aprendido lições que só a escola da vida podem ensinar. A velhice do meu pai tem me ensinado que as relações humanas se transformam com o passar do tempo. Raras exceções, nesse mundo materializado onde vivemos, as pessoas são incluídas na sociedade enquanto têm o que oferecer e não simplesmente pelo que de fato são.

Acho muito curiosa essa mentalidade de se ignorar os velhos. Como se quem é velho hoje, não fora jovem um dia. Ou quem hoje é jovem nunca acordará idoso. Meu pai foi uma pessoa bastante ativa. Gostava muito (leia-se no extremo máximo essa palavra) de sair de casa, fazer compras, passear. Tinha boa relação com os vizinhos, conhecia todo mundo pelo nome e fazia questão de cumprimentar de perto um a um. Percebo a ausência daqueles que pareciam presentes. Uns nos perguntam por ele, quando nos encontram na rua; outros se desculpam por ainda não terem tido tempo de lhe fazer uma visita; e ainda outros há que fingem que não mais nos conhecem, escondendo o rosto como se devessem algo e temessem a cobrança...

Graças a Deus meu pai tem o privilégio de ser amado nas suas limitações dentro do próprio lar. Quis escrever sobre isso para deixar aberta essa reflexão. Pode ser que estejamos negligenciando a lentidão dos passos, a demora no raciocínio, o “excesso” de histórias dos idosos que nos cercam. Sempre é tempo para celebrar. Parabéns, seu Adalberto! Por mais um ano de vida e pela escolha diária de viver corajosamente os desafios que se apresentam. Por viver alegremente cada novo dia que Deus dá a você. Estamos juntos.

Em tempo, celebrações benditas também pra mamãe, que também “aniversariou” esse mês.●

17 de junho de 2009

VC, TC E AFINS

“Chega mais perto e contempla as palavras...” É o convite de Drummond àqueles que se dispõem a poetizar a vida. Escolher sem pressa as palavras, fonte de conhecimento, ponte para o amor, a compreensão do outro.

Infelizmente, somos treinados pelos dias apressados a cada vez menos escolher palavras. As palavras a serem ditas são abreviadas nos nossos fast-vocabulários do dia-a-dia. É tudo muito sintetizado, embora nem sempre tão esclarecedor. Nós “tc” com todo o mundo, mandamos “bj” aos amigos e por aí vai. Um engano para quem pensa que isso agiliza o cotidiano, poupa tempo. E para que é o tempo, se não para fazermos elo com os semelhantes de espécie dita tão evoluída?

Perdeu-se o encanto pela palavra. Palavra bem dita, bem escrita, cumprindo a nobre função de comunicar. Diz-se se qualquer jeito e escreve-se pior ainda. A nobreza foi relegada àqueles que não se entregaram completamente aos reducionismos do mundo cibernético. Fica difícil até estabelecer comunicação com os adeptos dos códigos e abreviaturas disseminadas nas linguagens relâmpago do bate-papo virtual.

Às vezes, fico curiosa para saber a quantas andam as aulas de literatura, obrigatórias nos currículos escolares. Quando fui estudante, confesso que era tarefa maçante entender tantos autores, movimentos literários e características tão distintas que se apresentavam estranhamente diante dos meus olhos. Imagine o desafio dos educadores de hoje, tentando prender a atenção de leitores tão acostumados à economia de palavras, a textos curtos - sintéticos de informação e ausentes de poesia.

Não deixemos morrer a beleza dos pensamentos que demoram dentro de nós, da boa prosa com o vizinho, das histórias da vovó. Não é piegas, é resgate. É adentrar o reino das palavras, dialogar, contemplar sem medo de gastar tempo para isso. Senão, daqui a pouco, vamos t em vez de tc, digo teclar, pra não perder tanto tempo. ●

O PRIMEIRO PASSO

Dar o primeiro passo sempre é a ação mais desafiadora de toda a jornada. Das pedras do caminho, vamos aprendendo a desviar. Ao vento que sopra contrário, vamos aprendendo a resistir... Então, o maior obstáculo a ser vencido é ter ânimo de pôr o pé na estrada para seguir passo a passo.

Vejo nessa metáfora uma comparação com o desafio de escrever um blog. Sei que esse instrumento de comunicação universal é tão popular para muitos como fora a grande invenção de Graham Bell. Mas, para mim, essa idéia começou a me inquietar a partir de duas experiências distintas. Num primeiro momento, o desejo de fazer parte desse mundo dos blogs veio da leitura de cartas. Parece estranho. Começar um blog instigada por cartas... Se bem que sou da geração das cartas. Dos tempos em que se visitava a caixinha dos Correios diariamente à espera das notícias dos queridos. Há poucos dias, terminei a leitura do livro Cartas entre Amigos, recém-lançado a quatro mãos, por dois jovens autores da minha geração. Gabriel Chalita e padre Fábio de Melo resolveram resgatar o hábito de se comunicar por cartas, portadoras de reflexões sobre medos que nos assediam na atualidade. E essa troca de impressões e experiências me emprestou voz para falar um pouco sobre as minhas também. Paralelamente a isso, comecei a comentar no blog de uma amiga e percebi essa movimentação de idéias procurava um espaço maior onde pudesse me expressar.

Assim, me encorajei a pôr o pé na estrada. Vou levar uma bagagem leve, que não me atrapalhe a caminhada e me permita dialogar ao longo do percurso. Se quiser me acompanhar, seja bem-vindo. Que seja uma experiência enriquecedora, que haja pensamentos e palavras que façam bem. ●