“Chega mais perto e contempla as palavras...” É o convite de Drummond àqueles que se dispõem a poetizar a vida. Escolher sem pressa as palavras, fonte de conhecimento, ponte para o amor, a compreensão do outro.
Infelizmente, somos treinados pelos dias apressados a cada vez menos escolher palavras. As palavras a serem ditas são abreviadas nos nossos fast-vocabulários do dia-a-dia. É tudo muito sintetizado, embora nem sempre tão esclarecedor. Nós “tc” com todo o mundo, mandamos “bj” aos amigos e por aí vai. Um engano para quem pensa que isso agiliza o cotidiano, poupa tempo. E para que é o tempo, se não para fazermos elo com os semelhantes de espécie dita tão evoluída?
Perdeu-se o encanto pela palavra. Palavra bem dita, bem escrita, cumprindo a nobre função de comunicar. Diz-se se qualquer jeito e escreve-se pior ainda. A nobreza foi relegada àqueles que não se entregaram completamente aos reducionismos do mundo cibernético. Fica difícil até estabelecer comunicação com os adeptos dos códigos e abreviaturas disseminadas nas linguagens relâmpago do bate-papo virtual.
Às vezes, fico curiosa para saber a quantas andam as aulas de literatura, obrigatórias nos currículos escolares. Quando fui estudante, confesso que era tarefa maçante entender tantos autores, movimentos literários e características tão distintas que se apresentavam estranhamente diante dos meus olhos. Imagine o desafio dos educadores de hoje, tentando prender a atenção de leitores tão acostumados à economia de palavras, a textos curtos - sintéticos de informação e ausentes de poesia.
Não deixemos morrer a beleza dos pensamentos que demoram dentro de nós, da boa prosa com o vizinho, das histórias da vovó. Não é piegas, é resgate. É adentrar o reino das palavras, dialogar, contemplar sem medo de gastar tempo para isso. Senão, daqui a pouco, vamos t em vez de tc, digo teclar, pra não perder tanto tempo. ●
17 de junho de 2009
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2 comentários:
Não dar importância às palavras é não importar, com seu significado e o significado para o outro, pois, muitas vezes, opiniões, recados em sites de relacionamento, depoimentos, são expressos sem o cuidado com a consistência da mensagem, havendo a banalização das palavras e dos sentimentos, que nem sempre são verdadeiros, e que acabam virando clichês da moda. Assim você conhece uma pessoa um dia, no outro já há recados do tipo eu te amo, vc é especial, etc.
A história da humanidade nos mostra o quanto demorou para que o homem pudesse representar em "símbolos compreensíveis" seus medos e aspirações. Com o decorrer dos anos, o poder das palavras bem ditas fizeram os sonhos e as cabeças daqueles desejosos por sentimentos sublimes, tornando-os poetas consagrados, inspiradores dos mais vazios dos mortais. O problema é que o progresso atropela na intenção de chegar "sabe-se-lá-onde". As poesias ficaram esquecidas em prateleiras empoeiradas e nós, sonhadores do ontem, somos obrigados a nos atualizar para não ficarmos de fora da conversa... OU VC AXA Q OG TD EH MTO PRATKO D NTNDER?
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