4 de julho de 2009

ENXERGAR ALÉM DA SAUDADE

Recebi um e-mail que mexeu comigo. Trata-se de uma mensagem sobre a saudade que vamos sentir ao longo da vida. Dos fatos e pessoas que vão passando pela nossa história. Em suma, da vida que já vivemos. É muito saudável termos essa certeza em mente: tudo e todos passam. O tempo passa e não volta. As pessoas passam e podem voltar um dia. Ou não.

Quando li o texto, fui remetida a uma experiência bastante recente que vivi da separação de uma pessoa querida. Fui pega de surpresa com a notícia, senti o chão abrir. A melhor e a pior coisa são quando depositamos muita confiança, muita expectativa no outro. É a melhor, porque essa falsa segurança nos tranqüiliza. É a pior, porque nos acomoda com a nossa capacidade própria de realização.

O processo da separação é uma experiência rica de crescimento pessoal, quando iluminada. Quando ficamos cara a cara com nós mesmos, nos vemos obrigados a nos fazer a melhor companhia para enxergar a luz que sempre brilha no final do túnel. Fica, sim, a tradução sensorial da palavra “saudade”. A lembrança, a vontade de estar perto, o sabor do que foi vivido. Dessa experiência que falei, de viver a separação por distância, a lição que tirei é que pior que a saudade em si pode ser o medo de sentir saudade. Aquele sentimento pós-choque que nos faz pensar que não vamos nos recuperar do baque. Acredito que um grande desafio a ser vencido pelo ser humano é tentar racionalizar a vida. Não é viver friamente, alheio aos sentimentos. Não é isso. Mas aprendermos que os sentimentos às vezes nos enganam. Precisamos conseguir dialogar com a razão, para nos poupar de alguns sofrimentos desnecessários. É preciso enxergar além da saudade. É aquela hora de pôr os pés no chão, olhar ao redor e perceber que a vida sempre continua. Reinventada, quando preciso. ●

Um comentário:

Sandra - Território Sagrado disse...

Engraçado é que essa idéia de que tudo passa muito rápido sempre esteve em meus pensamentos. Talvez porque, no percusso de minha vida, a única certeza que tive foi a da mudança inevitável que era, aos poucos, inserida na minha história. Nós não percemos como isso acontece, porque não conseguimos apreender tudo no tempo que "possuímos" nas mãos. Apesar de ter passado parte da minha infância e adolescência me mudando (em vários sentidos), acho que, no fundo da minha alma esperançosa, acredito na possibilidade de fazer-me presente em quem menos imagino... Pode ser que, em algum momento de "descuido", eu tenha deixado minha marca com um sorriso tímido naquele que precisava tanto de um contato realmente humano. Uma forma de manifestar minha natureza eterna num instante considerado passageiro...