Há três dias começou oficialmente a Primavera. E ao virar dos ponteiros, com hora marcada, começaram a desabrochar belas espécies de flores ao nosso redor. Não, não é bem assim. A oficialidade da coisa, acredito, existe mais para convencer nosso racional cérebro do que para autorizar que os jardins venham colorir ainda mais os nossos dias.
Nós, humanos, vivemos a dualidade do emocional x racional. Assim, não podemos nos furtar de assumir a responsabilidade de fortalecer um lado mais que o outro à medida que vão aparecendo as situações à nossa frente. Por isso, a necessidade de haver um calendário que nos avise que acabou o tempo velho e já é chegado o novo tempo. Agora, a primavera. Daí, então, parece que começamos a enxergar os jardins ao lado, a sentir o perfume daquela roseira antiga no quintal. Funcionou ! O cérebro aceitou o estímulo do contar dos dias e o coração se entregou a essa nova percepção da realidade que por ali estivera esquecida.
Primavera é tempo de colorir os dias. De enfeitar a alma. Com o pretexto de prestigiar esse presente tão belo da natureza, inspiramos um ar mais puro e cedemos ao poder da contemplação da estética inventada por Deus. Curvamo-nos diante dos verdes, que renovam nossas esperanças e acalmam nossas inquietudes. Dos amarelos e laranjas, que revigoram nossas energias. Dos vermelhos, que acendem nossas paixões. Dos azuis e violetas, que nos serenizam nosso espírito. É raro ficar indiferente diante da gama de possibilidades que a beleza das flores nos oferece. Do perfume, das cores, da singeleza do gesto de presentear ou, simplesmente, enfeitar a casa.
Quero a primavera em mim. Quero florir ao meu redor e florescer diante da vida. Quero aproveitar essa inspiração para desabrochar sonhos, concretizar planos ou, apenas, viver bem esses dias de cores mil. Quero colher novas esperanças no meu jardim. Mas não vou me acomodar ao gesto da colheita. Vou plantar sementes que só possam frutificar com o passar dos meses, quem sabe na próxima primavera. Quero aprender com essas mudanças na natureza e entender que elas são metáforas da vida. Do frio da alma, representado pelo inverno. Do cair das folhas no outono, até chegar a felicidade simples na existência da primavera. Sinta o perfume das flores ao seu redor. Basta querer... ●
26 de setembro de 2009
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