18 de fevereiro de 2010

EXERCÍCIOS DE FELICIDADE

Não sou muito de assistir novela. Em geral, acho uma coisa cansativa, uns personagens que se repetem, expressando-se com frases igualmente repetitivas. Acho que conto nos dedos de uma mão só as novelas que realmente marcaram minha vida. Que eu dedicava aquele tempo diariamente para me sentar em frente à TV e acompanhar mais um capítulo.

E a história se repete... Estou encantada com as nuances da trama Viver a Vida, de Manoel Carlos. No meu caso, é quase redundante gostar da novela de Maneco. Dessas que guardo comigo, acredito que umas 99% foram inspiração desse mesmo autor. Então, todos os dias, desde 14 de setembro, lá estou eu me deleitando com a vida de cada personagem. Me envolvendo com uns, tomando partido de outros, me identificando além da telinha.

Anteontem, ouvi uma expressão muito boa que já incorporei ao meu vocabulário. A personagem Luciana, ex-modelo que se depara com a nova realidade de ser tetraplégica, contava a um amigo que tem buscado fazer todos os dias “exercícios de felicidade”. Curioso, ele perguntou o que significavam, como os fazia. E ela disse que ficava buscando na memória momentos bons de recordação que já passaram, mas que sempre a acompanharão ao logo de toda a vida. Comprei a idéia.

Todos temos arquivos fantásticos, inesquecíveis que fazem parte da nossa história de vida. Então porque deixá-los lá, empoeirados, relegados ao mero esquecimento se são inesquecíveis? Pode parecer uma boa terapia. Vou experimentar. Isso não significa se desligar do presente, ignorar os problemas, fingir que eles não existem. Mais que isso, é ter consigo doces lembranças de vida, de instantes que foram e ao mesmo tempo ficarão para sempre. Às vezes, a realidade é cinza. Por que não buscar aquela tarde naquele último dia de férias na praia, sentir de novo o cheiro, ouvir os sons que alegraram aquele momento? E o dia do baile de formatura, quando o nervosismo dificultava o equilíbrio sobre o salto, o estômago apertava na hora de levantar e pegar o diploma. Enfim.

Pelo que entendi, Luciana precisa aprender a encontrar a liberdade de ser feliz novamente mesmo fisicamente presa a uma cadeira de rodas. E ela tem buscado se lembrar do quanto a pessoa e a essência Luciana foram felizes antes dessa inesperada tragédia. Eu quero isso também. Quero aprender a viver da melhor forma o dia de hoje, mesmo sabendo que ele pode ser mais difícil do que eu esperaria que fosse. Quero lembrar que o ontem foi muito bom e, por isso, o hoje pode ser ainda melhor. Então, vou fazendo meus exercícios de felicidade, oxigenando o cérebro e libertando o pensamento para seguir em frente... ■

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