28 de julho de 2009

O TERMÔMETRO DO AMOR

Muito se fala sobre o amor. O mais nobre e desafiador dos sentimentos. Aquele que começa ainda no ventre materno e, do qual depois, já mais crescidinhos, começamos a experimentar na própria carne seus significados. Do primeiro amor, das juras de amor eterno, da doçura dos amigos, do aconchego da família.

Falar de amor é fácil. Ou melhor, falar do falso amor é fácil, porque quando quisermos falar de amor verdadeiro a coisa começa complicar. Ao contrário do que muitos pensam, o termômetro do amor não é o ciúme, e, sim, o cuidado. Lembro daquela música que fez muito sucesso na voz de Caetano Veloso e diz: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Fala que me ama, só que é da boca pra fora”. É mentiroso dizer que se ama de longe, na ausência. Não que todos que se amem precisem estar geograficamente próximos uns dos outros. A vida tende a separar as pessoas. São projetos pessoais que nos levam para lados opostos. Mas o encurtamento das distâncias ficou muito facilitado com a Internet, por exemplo. Podemos estar presentes sem necessariamente estarmos ao lado. Daí ficar mais insustentável ainda a enganosa prática do “amor da boca para fora”.

Como há amor se não há cuidado? Não há amor se não há cumplicidade de almas. Que ama, quer estar junto. Não por formalidade, cobrança, obrigação. Quem ama, fica feliz na felicidade do outro e chora no choro do outro. Quem ama, celebra os novos projetos e ajuda a enterrar aqueles que chegaram ao fim. Dizer que ama sem se fazer presente é enganar a si mesmo e com um pouco de sorte se iludir achando que engana ao outro. O amor não tem fingimentos. Fingir é uma atitude covarde de quem precisa se justificar pelo peso da própria consciência. Amor é sentimento nobre, tem boa reputação. Ele é alimentado com a verdade e a coerência, e gerador de frutos de confiança.

Pense duas vezes antes de sair propagando ao vento suas palavras de amor. Pode ser que esse mesmo vento sopre nos ouvidos machucados de quem já experimentou falsos amores. Tomara que o amor que saia nas palavras da nossa boca seja sempre verdadeiro, para que o ruído do vento que as leve soe como música suave aos ouvidos daqueles que nos ouçam. Como diz a Sagrada Escritura: “Não amemos de palavra, nem de língua. Mas de fato e de verdade.” ●

2 comentários:

Unknown disse...

Fantástico!

Sandra - Território Sagrado disse...

Falar de amor é até complicado, pois a visão que se faz deste sentimento nos nossos dias, atravessa de longe o seu caminho real. O mundo nos mostra o amor material, a importância do ter, esquecendo-se do SER! Como vc disse, há uma gama de sentimentos nobres que, em sua soma, criam a unidade máxima que é o amor. Mas procuremos ainda mais essa essência vital, mesmo que todos insistam em correr do seu verdadeiro sentido...