Vi a entrevista de um sociólogo que me deixou pensativa. Muito se fala sobre mundo capitalista, sociedade consumista e já estamos de ouvidos saturados de escutar o blá blá blá em torno da figura majestosa do consumidor. O consumidor, rei que rege com suas vontades supremas e absolutas, mola propulsora da engrenagem do consumo desenfreado. Conta a lenda que é ele quem dita modas, que faz abrirem ou fecharem franquias, que leva marcas à ascensão ou à queda.
Fui surpreendida com o outro lado dessa mesma moeda. Falava o sociólogo que há os consumidores de fato e, para minha surpresa, há, também e em maior número, os consumidos. É mais fácil e simplista fabricar a imagem de uma figura plena de poderes que comanda o sistema capitalista como um todo. Mas a realidade é bem outra. O que dizer daqueles pais de família que se sentem impotentes por não poderem comprar o modelo de tênis recém-lançado daquela marca famosa para o filho adolescente que até ameaça abandonar os estudos se não tiver o desejo realizado ? O que dizer da menina que se depara com a realidade de que vai ter que estudar para terminar aquele curso técnico de telefonista e enfrentar a batalha da procura pelo primeiro emprego ao invés de continuar sonhando com a carreira de modelo e se espelhando naquela moça que estampa metade das revistas expostas na banca ?
Se fossem de fato consumidores não se esqueceriam de seus valores, seus gostos, seu poder e livre arbítrio. A angústia pela falta de dinheiro para consumir marcas, a necessidade de acompanhar a multidão que se veste igual, come igual e fala igual são reflexos que há mais consumidos que consumidores espalhados por aí. Não há muita indagação da utilidade da compra, da razão de tal comportamento. É impulso alimentado pelo semelhante ao lado. É incrível a popularidade do comércio pirata que dispara à frente do dito comércio legal. Não pode comprar a bolsa original da grife ? Não há problema... Tem uma “igualzinha” vendida no mercado informal e que custa a metade do preço... Esperteza ou aprisionamento ? São os reféns dos ditames da moda, que pensam ser consumidores, mas, de fato, são meros consumidos...
Nada contra o consumo. Muito bom desejar e poder satisfazer o desejo. Muito bom adquirir bons produtos e trazer praticidade e bom gosto ao dia a dia. O problema surge quando nos percebemos aprisionados aos ditames das tendências de moda e vamos violando nossos gostos e valores para nos reduzirmos a consumidos guiados pela cegueira do consumo desenfreado. Quero continuar consumindo por que quero. Liberdade e autenticidade urgente ! ■
28 de fevereiro de 2010
23 de fevereiro de 2010
EXERCÍCIOS DE FELICIDADE 2
Refletindo sobre esse novo desafio de fazer exercícios diários de felicidade, cheguei à conclusão de que há desdobramentos no assunto... Luciana volta ao passado e revive a lembrança de bons momentos que foram um dia e ainda permanecem. Pensei que podemos ir além e nos exercitarmos no hoje e no amanhã também. Por que não?
Exercícios de felicidade para hoje
Que tal ouvir aquela música da qual tanto se gosta, por exemplo. Ou pegar o telefone e bater um papo com aquela amiga de longa data de quem só temos notícia por e-mail? Ou, então, que tal fazer aquela comidinha gostosa que muitas vezes é trocada por um rápido sanduíche? Ou ler um bom livro? Vamos investir mais horas do dia de hoje na nossa própria felicidade. E que sejamos sábios para encontá-la nos rituais e acontecimentos ordinários da vida. Na despretensão da simplicidade, na ilusão do contentamento, na respiração do minuto seguinte.
Exercícios de felicidade para amanhã
O futuro só será revelado no tempo certo. Isso é verdade. Mas o pensamento mais sábio é entender que o amanhã começa a ser construído no dia de hoje. Partindo dessa máxima, precisamos nos projetar no amanhã também. Viver com os pés no hoje e as idéias no amanhã. Mesmo porque, se não for assim, nada vai diferenciar a esperança que depositamos no amanhã de tudo o que nos desagrada no dia de hoje. Racionalizar o futuro é mais inteligente e coerente que apenas sonhá-lo. Sonho, quando se acorda, nos separa da realidade; ação, nos aproxima do que sonhamos.
Vou lá, continuar assistindo minha novela (...) e aprendendo um pouco mais nesse consultório informal de psicologia gratuita e, por vezes, eficaz. Vou me exercitando com a lembrança do ontem, a possibilidade do hoje e a esperança do amanhã.
Obrigada, Luciana... ■
Exercícios de felicidade para hoje
Que tal ouvir aquela música da qual tanto se gosta, por exemplo. Ou pegar o telefone e bater um papo com aquela amiga de longa data de quem só temos notícia por e-mail? Ou, então, que tal fazer aquela comidinha gostosa que muitas vezes é trocada por um rápido sanduíche? Ou ler um bom livro? Vamos investir mais horas do dia de hoje na nossa própria felicidade. E que sejamos sábios para encontá-la nos rituais e acontecimentos ordinários da vida. Na despretensão da simplicidade, na ilusão do contentamento, na respiração do minuto seguinte.
Exercícios de felicidade para amanhã
O futuro só será revelado no tempo certo. Isso é verdade. Mas o pensamento mais sábio é entender que o amanhã começa a ser construído no dia de hoje. Partindo dessa máxima, precisamos nos projetar no amanhã também. Viver com os pés no hoje e as idéias no amanhã. Mesmo porque, se não for assim, nada vai diferenciar a esperança que depositamos no amanhã de tudo o que nos desagrada no dia de hoje. Racionalizar o futuro é mais inteligente e coerente que apenas sonhá-lo. Sonho, quando se acorda, nos separa da realidade; ação, nos aproxima do que sonhamos.
Vou lá, continuar assistindo minha novela (...) e aprendendo um pouco mais nesse consultório informal de psicologia gratuita e, por vezes, eficaz. Vou me exercitando com a lembrança do ontem, a possibilidade do hoje e a esperança do amanhã.
Obrigada, Luciana... ■
18 de fevereiro de 2010
EXERCÍCIOS DE FELICIDADE
Não sou muito de assistir novela. Em geral, acho uma coisa cansativa, uns personagens que se repetem, expressando-se com frases igualmente repetitivas. Acho que conto nos dedos de uma mão só as novelas que realmente marcaram minha vida. Que eu dedicava aquele tempo diariamente para me sentar em frente à TV e acompanhar mais um capítulo.
E a história se repete... Estou encantada com as nuances da trama Viver a Vida, de Manoel Carlos. No meu caso, é quase redundante gostar da novela de Maneco. Dessas que guardo comigo, acredito que umas 99% foram inspiração desse mesmo autor. Então, todos os dias, desde 14 de setembro, lá estou eu me deleitando com a vida de cada personagem. Me envolvendo com uns, tomando partido de outros, me identificando além da telinha.
Anteontem, ouvi uma expressão muito boa que já incorporei ao meu vocabulário. A personagem Luciana, ex-modelo que se depara com a nova realidade de ser tetraplégica, contava a um amigo que tem buscado fazer todos os dias “exercícios de felicidade”. Curioso, ele perguntou o que significavam, como os fazia. E ela disse que ficava buscando na memória momentos bons de recordação que já passaram, mas que sempre a acompanharão ao logo de toda a vida. Comprei a idéia.
Todos temos arquivos fantásticos, inesquecíveis que fazem parte da nossa história de vida. Então porque deixá-los lá, empoeirados, relegados ao mero esquecimento se são inesquecíveis? Pode parecer uma boa terapia. Vou experimentar. Isso não significa se desligar do presente, ignorar os problemas, fingir que eles não existem. Mais que isso, é ter consigo doces lembranças de vida, de instantes que foram e ao mesmo tempo ficarão para sempre. Às vezes, a realidade é cinza. Por que não buscar aquela tarde naquele último dia de férias na praia, sentir de novo o cheiro, ouvir os sons que alegraram aquele momento? E o dia do baile de formatura, quando o nervosismo dificultava o equilíbrio sobre o salto, o estômago apertava na hora de levantar e pegar o diploma. Enfim.
Pelo que entendi, Luciana precisa aprender a encontrar a liberdade de ser feliz novamente mesmo fisicamente presa a uma cadeira de rodas. E ela tem buscado se lembrar do quanto a pessoa e a essência Luciana foram felizes antes dessa inesperada tragédia. Eu quero isso também. Quero aprender a viver da melhor forma o dia de hoje, mesmo sabendo que ele pode ser mais difícil do que eu esperaria que fosse. Quero lembrar que o ontem foi muito bom e, por isso, o hoje pode ser ainda melhor. Então, vou fazendo meus exercícios de felicidade, oxigenando o cérebro e libertando o pensamento para seguir em frente... ■
E a história se repete... Estou encantada com as nuances da trama Viver a Vida, de Manoel Carlos. No meu caso, é quase redundante gostar da novela de Maneco. Dessas que guardo comigo, acredito que umas 99% foram inspiração desse mesmo autor. Então, todos os dias, desde 14 de setembro, lá estou eu me deleitando com a vida de cada personagem. Me envolvendo com uns, tomando partido de outros, me identificando além da telinha.
Anteontem, ouvi uma expressão muito boa que já incorporei ao meu vocabulário. A personagem Luciana, ex-modelo que se depara com a nova realidade de ser tetraplégica, contava a um amigo que tem buscado fazer todos os dias “exercícios de felicidade”. Curioso, ele perguntou o que significavam, como os fazia. E ela disse que ficava buscando na memória momentos bons de recordação que já passaram, mas que sempre a acompanharão ao logo de toda a vida. Comprei a idéia.
Todos temos arquivos fantásticos, inesquecíveis que fazem parte da nossa história de vida. Então porque deixá-los lá, empoeirados, relegados ao mero esquecimento se são inesquecíveis? Pode parecer uma boa terapia. Vou experimentar. Isso não significa se desligar do presente, ignorar os problemas, fingir que eles não existem. Mais que isso, é ter consigo doces lembranças de vida, de instantes que foram e ao mesmo tempo ficarão para sempre. Às vezes, a realidade é cinza. Por que não buscar aquela tarde naquele último dia de férias na praia, sentir de novo o cheiro, ouvir os sons que alegraram aquele momento? E o dia do baile de formatura, quando o nervosismo dificultava o equilíbrio sobre o salto, o estômago apertava na hora de levantar e pegar o diploma. Enfim.
Pelo que entendi, Luciana precisa aprender a encontrar a liberdade de ser feliz novamente mesmo fisicamente presa a uma cadeira de rodas. E ela tem buscado se lembrar do quanto a pessoa e a essência Luciana foram felizes antes dessa inesperada tragédia. Eu quero isso também. Quero aprender a viver da melhor forma o dia de hoje, mesmo sabendo que ele pode ser mais difícil do que eu esperaria que fosse. Quero lembrar que o ontem foi muito bom e, por isso, o hoje pode ser ainda melhor. Então, vou fazendo meus exercícios de felicidade, oxigenando o cérebro e libertando o pensamento para seguir em frente... ■
16 de fevereiro de 2010
VOLTEI
Depois de longos dias afastada desse espaço virtual, voltei. Incrível como o final de ano vai desacelerando a gente ao extremo de irmos pouco a pouco abandonando projetos ainda não bem consolidados. Se é por obrigação, vamos até o fim. Sobrevivemos aos 31 dias de dezembro e começamos janeiro seguinte apenas como uma folha virada no calendário. Mas quando o negócio é sem obrigação, a gente vai saindo de fininho, tentando recuperar o fôlego então perdido por 12 meses que se sucedem sabe Deus como...
Não é fácil. O mesmo cérebro, os mesmos neurônios, as mesmas pernas, o mesmo coração pra darem conta de tantos sentimentos desencontrados, tantas emoções incoerentes, tantos passos mesmo sendo alguns em falso. Penso que esse negócio de calendário foi inventado por algum bendito psicólogo, neurologista ou afim. Imagine se não houvesse essa ruptura? Ainda que fictícia, porque no dia primeiro de janeiro as dívidas, os problemas ou as alegrias não começam do zero. Não é como nos joguinhos de games que passamos pra outra fase e nossa bateria está recarregada igualmente com nossos estoques zerados. Mas, mesmo assim funciona. A gente compra agenda nova, passa a limpo o que vai continuar com a gente, tenta perdoar, busca pensar positivo e isso faz uma diferença danada...
Nem foi de caso pensado eu voltar por agora. Fiquei sem computador quase 30 dias (o que pareceu um longo ano) e só o resgatei semana passada. Não acredito em coincidências, mas estou de volta nesse finzinho de carnaval: justamente quando a vida da gente começa a andar de fato e todos têm que retomar os postos pra tocar em frente os próximos 10 meses que se seguem. Não prometo não abandonar o blog (porque também detesto promessas não cumpridas), mas vou me esforçar um pouco mais para que ele esteja no ar nas quatro estações de 2010. É uma maneira a mais de caminhar junto, de dividir o peso da mochila durante a caminhada. Então vamos. Outra vez... ■
Não é fácil. O mesmo cérebro, os mesmos neurônios, as mesmas pernas, o mesmo coração pra darem conta de tantos sentimentos desencontrados, tantas emoções incoerentes, tantos passos mesmo sendo alguns em falso. Penso que esse negócio de calendário foi inventado por algum bendito psicólogo, neurologista ou afim. Imagine se não houvesse essa ruptura? Ainda que fictícia, porque no dia primeiro de janeiro as dívidas, os problemas ou as alegrias não começam do zero. Não é como nos joguinhos de games que passamos pra outra fase e nossa bateria está recarregada igualmente com nossos estoques zerados. Mas, mesmo assim funciona. A gente compra agenda nova, passa a limpo o que vai continuar com a gente, tenta perdoar, busca pensar positivo e isso faz uma diferença danada...
Nem foi de caso pensado eu voltar por agora. Fiquei sem computador quase 30 dias (o que pareceu um longo ano) e só o resgatei semana passada. Não acredito em coincidências, mas estou de volta nesse finzinho de carnaval: justamente quando a vida da gente começa a andar de fato e todos têm que retomar os postos pra tocar em frente os próximos 10 meses que se seguem. Não prometo não abandonar o blog (porque também detesto promessas não cumpridas), mas vou me esforçar um pouco mais para que ele esteja no ar nas quatro estações de 2010. É uma maneira a mais de caminhar junto, de dividir o peso da mochila durante a caminhada. Então vamos. Outra vez... ■
9 de novembro de 2009
FAZ DE CONTA
Faz de conta que é tudo uma grande brincadeira. Brincadeira daquelas boas de esconde-esconde. Faz de conta que a gente que a gente ama nunca vai dizer adeus. Que nunca vai sair da vista da gente. Que não vai deixar saudade doída no nosso peito.
Faz de conta que o tempo não passa. Que não passa para as coisas boas da vida. Que só passa para as que não foram boas e que para essas ele passa mais rápido que um raio, correndo pra fora da memória da gente.
Faz de conta que a gente não envelhece, que a gente não adoece, que a gente não se ausenta num dia quase pra sempre. Faz de conta que a gente não espera que isso aconteça ou que a gente já aprendeu a esperar sem tanto sofrimento.
Que bom que o meu faz de conta vai virar realidade. Que bom que o futuro é eterno e glorioso. Que bom que quem está guardado hoje nos nossos corações vai estar de novo com a gente, pertinho de novo, dando risada e fazendo bem, sem a pressa do tempo do relógio nem o temor da dor da separação. Que bom que o pra sempre existe, ainda que incerto no nosso calendário, mas certo nas promessas de Deus.
E enquanto isso, a gente vai regando essas sementes de amanhã no jardim do nosso coração, se esforçando pra não deixar que o hoje nos sufoque, nem tampouco que os espinhos venham ferir nossos pés ao longo da caminhada. ●
Faz de conta que o tempo não passa. Que não passa para as coisas boas da vida. Que só passa para as que não foram boas e que para essas ele passa mais rápido que um raio, correndo pra fora da memória da gente.
Faz de conta que a gente não envelhece, que a gente não adoece, que a gente não se ausenta num dia quase pra sempre. Faz de conta que a gente não espera que isso aconteça ou que a gente já aprendeu a esperar sem tanto sofrimento.
Que bom que o meu faz de conta vai virar realidade. Que bom que o futuro é eterno e glorioso. Que bom que quem está guardado hoje nos nossos corações vai estar de novo com a gente, pertinho de novo, dando risada e fazendo bem, sem a pressa do tempo do relógio nem o temor da dor da separação. Que bom que o pra sempre existe, ainda que incerto no nosso calendário, mas certo nas promessas de Deus.
E enquanto isso, a gente vai regando essas sementes de amanhã no jardim do nosso coração, se esforçando pra não deixar que o hoje nos sufoque, nem tampouco que os espinhos venham ferir nossos pés ao longo da caminhada. ●
31 de outubro de 2009
PRECISO APRENDER A CALAR A BOCA
Tenho uma mania, ou melhor, um defeito que muito tem me incomodado: a falta de domínio da língua. Não é de nenhuma língua estrangeira. Ah, se fosse... E da língua mesmo, órgão que carrego comigo, por trás dos dentes e bem no meio da boca.
É bem verdade que desde criança sempre fui faladeira. Uma vez, esse defeito ficou bem evidente, tipo carimbo em mim. Estava na segunda série e era aluna de uma professora não muito didática tampouco adepta dos meios de educação aliados à psicologia. A bendita professora enumerava com a lista de chamada nas mãos os nomes do alunos e as disciplinas em que deveriam se dedicar com mais afinco nos estudos: “Fulano, você precisa melhorar em matemática, por exemplo”. E eu, com minha língua solta, ao não escutar meu nome ser pronunciado após a última letra do alfabeto, tive a brilhante idéia de me dirigir até a mesa dela e perguntar em que eu deveria melhorar. A resposta foi sonora, não muito agradável e voltei cabisbaixa e engolindo um choro seco quando escutei: “Na língua é que você deve melhorar, porque fala demais.” Sentença ? Não sei. Mera previsão ou profecia ? Quem dirá ?
O fato é que tenho percebido que minha língua anda solta no que não deveria: a vida alheia. Não é que faço fofoca, revelo segredos, nada disso. Tenho percebido que um dos meus piores defeitos (ou que muito tem me incomodado) é dar pitaco na vida dos outros. Na hora, na conversa, no desenrolar do diálogo, com amigo, parente e afins eu dou minha opinião, falo o que penso daquele assunto. Daí, menos de cinco minutos depois eu me arrependo por sair dando receitas de vida, fórmulas de cotidiano, emitindo juízos etc. O pensamento que me ocorre é: “Meu Deus, quem sou eu para entrar na vida dele ou dela sem ser solicitada”. Nem sei se realmente tenho incomodado esses terceiros, se tenho causado aborrecimentos com minha inoportuna e invasiva opinião. Refletindo sobre isso, decidi que não devo me manifestar em casas, vidas e lares de terceiros a menos que seja solicitada. Diz o sábio ditado que cada macaco deve ficar no seu galho. Quem penso que sou ou que direitos tenho para chegar sem ser solicitada e começar a dar minhas consultas, consultorias e julgamentos ? Dizem, também, que quando colocamos as coisas no papel o nosso compromisso com elas aumenta, toma corpo além das letras. Que seja assim. Botando o ponto final nesse texto, começo a me comprometer comigo para me libertar desse vício e me ocupar de dar opinião em quem realmente precisa escutar meus conselhos: eu. A me ocupar em querer dar jeito na única vida que me diz veramente respeito: a minha. Que eu me sacrifique para aprender a usar os meus ouvidos e aposentar minha bendita língua... Amém. ●
É bem verdade que desde criança sempre fui faladeira. Uma vez, esse defeito ficou bem evidente, tipo carimbo em mim. Estava na segunda série e era aluna de uma professora não muito didática tampouco adepta dos meios de educação aliados à psicologia. A bendita professora enumerava com a lista de chamada nas mãos os nomes do alunos e as disciplinas em que deveriam se dedicar com mais afinco nos estudos: “Fulano, você precisa melhorar em matemática, por exemplo”. E eu, com minha língua solta, ao não escutar meu nome ser pronunciado após a última letra do alfabeto, tive a brilhante idéia de me dirigir até a mesa dela e perguntar em que eu deveria melhorar. A resposta foi sonora, não muito agradável e voltei cabisbaixa e engolindo um choro seco quando escutei: “Na língua é que você deve melhorar, porque fala demais.” Sentença ? Não sei. Mera previsão ou profecia ? Quem dirá ?
O fato é que tenho percebido que minha língua anda solta no que não deveria: a vida alheia. Não é que faço fofoca, revelo segredos, nada disso. Tenho percebido que um dos meus piores defeitos (ou que muito tem me incomodado) é dar pitaco na vida dos outros. Na hora, na conversa, no desenrolar do diálogo, com amigo, parente e afins eu dou minha opinião, falo o que penso daquele assunto. Daí, menos de cinco minutos depois eu me arrependo por sair dando receitas de vida, fórmulas de cotidiano, emitindo juízos etc. O pensamento que me ocorre é: “Meu Deus, quem sou eu para entrar na vida dele ou dela sem ser solicitada”. Nem sei se realmente tenho incomodado esses terceiros, se tenho causado aborrecimentos com minha inoportuna e invasiva opinião. Refletindo sobre isso, decidi que não devo me manifestar em casas, vidas e lares de terceiros a menos que seja solicitada. Diz o sábio ditado que cada macaco deve ficar no seu galho. Quem penso que sou ou que direitos tenho para chegar sem ser solicitada e começar a dar minhas consultas, consultorias e julgamentos ? Dizem, também, que quando colocamos as coisas no papel o nosso compromisso com elas aumenta, toma corpo além das letras. Que seja assim. Botando o ponto final nesse texto, começo a me comprometer comigo para me libertar desse vício e me ocupar de dar opinião em quem realmente precisa escutar meus conselhos: eu. A me ocupar em querer dar jeito na única vida que me diz veramente respeito: a minha. Que eu me sacrifique para aprender a usar os meus ouvidos e aposentar minha bendita língua... Amém. ●
16 de outubro de 2009
CHEGOU PRA FICAR
Deus não se cansa de nos surpreender. Quando menos esperamos, de onde menos imaginamos vêm mimos do Céu pra acrescentar coisas boas na nossa vida. É bem fato que muitas vezes, imersos na correria do dia-a-dia podemos não nos dar conta das coisas e pessoas especiais que acontecem ao nosso redor. Mas com um pouquinho de boa vontade e sabedoria podemos perceber raios de luz celeste brilhando bem do nosso ladinho...
Tempos atrás, mais precisamente há um ano, Deus resolveu me presentear com um mimo que vou levar pra vida toda. Ganhei um irmão mais velho. Irmãos desses de coração, de alma, que a vida às vezes põe na nossa vida, pra ajudar na caminhada. Um presente em forma de gente.
Muito engraçado, porque há pessoas que estão no nosso convívio todos os dias e pouco ou nada fazem de diferença em nós. Sei que a recíproca também é verdadeira e muitas vezes nada acrescentamos também àqueles que nos rodeiam. Não gosto de culpa, nem de cobrança. Acredito, sim, nos encontros de almas, em vidas que caminham lado a lado por cumplicidade de idéias, proximidade de objetivos etc. Eu e esse meu irmão mais velho, nem nos conhecemos pessoalmente. Conhecimento de longe, aproximado graças à fantástica diminuição das distâncias promovida pelos meios de comunicação, principalmente a internet. Tenho aprendido muitíssimo com ele. Aprendido a lutar de pé, mesmo quando as coisas ruins da vida quase nos prostram no chão. Aprendido a acreditar mais em mim e esperar menos do escasso tempo dos outros. Aprendido que somos os responsáveis pela maneira como vamos conduzindo o timão do barco da nossa vida. Aprendido até que é melhor rir do que não dá certo e seguir em frente, pra não impedir que o movimento da vida aconteça. O devir das coisas. Como é bom trocar experiências de vida com quem já viveu do melhor e do pior. Com quem escolhe acolher o pior para crescer como pessoa e extrair o melhor disso. Com quem aprende a se superar por si a cada manhã. Focar nas possibilidades do hoje.
Nossa, eu fico muito agradecida a papai-doCéu por me aumentar assim, sem me avisar, a minha família do coração. Por agregar parentes que não têm meus laços de sangue, mas que me fazem pulsar melhor. Querido, saiba que você chegou pra ficar. Já tem lugar de honra nas acomodações do meu coração, viu ? Vamos juntos, assim, família de Cristo... ●
Tempos atrás, mais precisamente há um ano, Deus resolveu me presentear com um mimo que vou levar pra vida toda. Ganhei um irmão mais velho. Irmãos desses de coração, de alma, que a vida às vezes põe na nossa vida, pra ajudar na caminhada. Um presente em forma de gente.
Muito engraçado, porque há pessoas que estão no nosso convívio todos os dias e pouco ou nada fazem de diferença em nós. Sei que a recíproca também é verdadeira e muitas vezes nada acrescentamos também àqueles que nos rodeiam. Não gosto de culpa, nem de cobrança. Acredito, sim, nos encontros de almas, em vidas que caminham lado a lado por cumplicidade de idéias, proximidade de objetivos etc. Eu e esse meu irmão mais velho, nem nos conhecemos pessoalmente. Conhecimento de longe, aproximado graças à fantástica diminuição das distâncias promovida pelos meios de comunicação, principalmente a internet. Tenho aprendido muitíssimo com ele. Aprendido a lutar de pé, mesmo quando as coisas ruins da vida quase nos prostram no chão. Aprendido a acreditar mais em mim e esperar menos do escasso tempo dos outros. Aprendido que somos os responsáveis pela maneira como vamos conduzindo o timão do barco da nossa vida. Aprendido até que é melhor rir do que não dá certo e seguir em frente, pra não impedir que o movimento da vida aconteça. O devir das coisas. Como é bom trocar experiências de vida com quem já viveu do melhor e do pior. Com quem escolhe acolher o pior para crescer como pessoa e extrair o melhor disso. Com quem aprende a se superar por si a cada manhã. Focar nas possibilidades do hoje.
Nossa, eu fico muito agradecida a papai-doCéu por me aumentar assim, sem me avisar, a minha família do coração. Por agregar parentes que não têm meus laços de sangue, mas que me fazem pulsar melhor. Querido, saiba que você chegou pra ficar. Já tem lugar de honra nas acomodações do meu coração, viu ? Vamos juntos, assim, família de Cristo... ●
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