19 de junho de 2009

SEMPRE É TEMPO

Domingo passado foi aniversário do meu pai. Tenho tirado muito proveito desse convívio dia a dia e aprendido lições que só a escola da vida podem ensinar. A velhice do meu pai tem me ensinado que as relações humanas se transformam com o passar do tempo. Raras exceções, nesse mundo materializado onde vivemos, as pessoas são incluídas na sociedade enquanto têm o que oferecer e não simplesmente pelo que de fato são.

Acho muito curiosa essa mentalidade de se ignorar os velhos. Como se quem é velho hoje, não fora jovem um dia. Ou quem hoje é jovem nunca acordará idoso. Meu pai foi uma pessoa bastante ativa. Gostava muito (leia-se no extremo máximo essa palavra) de sair de casa, fazer compras, passear. Tinha boa relação com os vizinhos, conhecia todo mundo pelo nome e fazia questão de cumprimentar de perto um a um. Percebo a ausência daqueles que pareciam presentes. Uns nos perguntam por ele, quando nos encontram na rua; outros se desculpam por ainda não terem tido tempo de lhe fazer uma visita; e ainda outros há que fingem que não mais nos conhecem, escondendo o rosto como se devessem algo e temessem a cobrança...

Graças a Deus meu pai tem o privilégio de ser amado nas suas limitações dentro do próprio lar. Quis escrever sobre isso para deixar aberta essa reflexão. Pode ser que estejamos negligenciando a lentidão dos passos, a demora no raciocínio, o “excesso” de histórias dos idosos que nos cercam. Sempre é tempo para celebrar. Parabéns, seu Adalberto! Por mais um ano de vida e pela escolha diária de viver corajosamente os desafios que se apresentam. Por viver alegremente cada novo dia que Deus dá a você. Estamos juntos.

Em tempo, celebrações benditas também pra mamãe, que também “aniversariou” esse mês.●

Um comentário:

Sandra - Território Sagrado disse...

Ao meu ver, cuidar de quem prestou cuidados e atenção aos nossos tropeços e vitórias, fazendo parte principal de nossa formação, é um privilégio, um presente de Deus. É claro que há dificuldades, próprias das limitações que surgem à medida que envelhecemos, mas quando percebo que o que somos, o que pensamos e o que possuímos de valores foi ensinado por eles, surge no meu peito uma gratidão enorme e felicidade por eu ter a oportunidade de retribuir todo o amor recebido!