26 de junho de 2009

O SEGREDO DO SUCESSO

Vi uma reportagem que me fez continuar acreditando na essência do bem que habita no ser humano. Era a história de alguém que decidiu sonhar a vida e viver esse sonho. Falava da alma nobre de um homem que escolheu, há cinco anos, trabalhar com o fabrico e a restauração de instrumentos musicais, sem condições favoráveis para tanto. Ele busca nos entulhos a matéria-prima para transcender as adversidades. E ali, em meio a tantos pedaços de madeira bruta, o sentido da vida é talhado. Quem lhe compra um violão, pode nem imaginar quais acordes já foram tocados na fabricação daquele instrumento. Acordes de esperança, de fé, de coragem. Tudo isso ficou evidente quando aquele homem simples, ambientado numa realidade igualmente simples, se emocionou ao falar do próprio ofício, do desafio de acreditar no sonho de estar tão próximo da música e viver disso.

Muita gente procura fórmulas mágicas para alcançar o sucesso, tornar-se rico, famoso, e só assim ser feliz. A realidade é que poucos se destacam no meio da multidão. Por que isso acontece? Não sei. Mas aprendi um pouco mais com aquele homem humilde, que descobriu na dureza da vida o segredo do sucesso. Mais que uma gorda conta bancária, certamente o sucesso pessoal é mensurado pela paz que se tem no coração. Recolher restos de madeira no lixo, trazer para casa, construir engenhosamente instrumentos musicais e vendê-los sem isso ser altamente lucrativo. Para quê? Para continuar embalando a música que alimenta a alma dele. O som das batidas de um coração que pulsa a simplicidade na vida. ●

2 comentários:

Lúcia disse...

É..., ter sucesso e ser feliz nem sempre são sinônimos, ainda mais quando o escopo principal do trabalho torna-se o ganhar e deixa-se de fazer aquilo que se gosta, que dá sentido pessoal, não só o profissional.
Como aliar os dois estados (bem-sucedido e feliz) dificilmente serão encontrados em manuais e livros de auto-ajuda, uma vez que esta litetatura, muito recorrente em livrarias e em nosso cotidiano, desconsidera o significado do ser o que se é, sem invenções, a individualidade, criando padrões de resultados, comportamentos, estilo de vida feliz, entre outros. Não que esta literatura seja errada e talz, mas é que o autoconhecimento, o respeito às limitações individuais, as condições de família, devam ser o princípio de todo o resto, isto é, deve-se partir da essência do que se é a um objetivo, se for o contrário, há um desrespeito a si mesmo.

Sandra - Território Sagrado disse...

O que acho mágico em uma história como essa é a força da continuidade que o "fabricante" aplica aos instrumentos. A matéria-prima, no seu conteúdo sagrado, tem uma nova chance de "ser" o que um dia "foi". Sagrado porque, quando chega às mãos do escultor, traz embutida na madeira arranhada e cansada, o afeto e a essência dos que fizeram parte de sua vida agora esquecida. É uma metáfora para nossas vidas... é um conselho indireto aos nossos corações, que insistem em matar os bons valores adquiridos com a maturidade e a persistência que traz a musicalidade real, em troca da materialidade fútil de criações inférteis aos nosso ouvidos nada exigentes...